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Mundial Sub-20 2011

Mundial Sub-20: Colômbia

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Gabriel Dudziak - 19/07/2011

Disputar e vencer um Mundial em casa. O México conseguiu com a seleção sub-17 há menos de um mês e a Colômbia quer imitar o feito no sub-20. À pressão de jogar em casa estará somada a expectativa que os colombianos têm sobre esta geração, bem longe do desempenho apático do Sul-Americano, quando ficou em último no Hexagonal Final, obtendo apenas um ponto em cinco jogos. Não fosse sede do torneio os colombianos assistiriam de casa à disputa.

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Se o título é uma esperança dos torcedores, da comissão técnica e da imprensa, que consideram esse grupo tão talentoso quanto o de 2005, também comandado por Eduardo Lara, que caiu nas quartas e que tinha nomes como Ospina, Zapata, Zuniga, Dayro Moreno, Wason Rentería, Rodallega e Guarín, o desejo é de pelo menos ter um desempenho semelhante ao de 2003. Naquele ano os cafeteros caíram nas semifinais ante a Espanha de Iniesta e ficaram com o terceiro lugar. É um sonho possível, mas bastante complicado pelo nível dos adversários.

Já na fase de grupos, os cafeteros terão um grande desafio diante da França e um considerável embate com a Coreia do Sul. Mali completa o grupo. Se passar em primeiro do grupo, vai enfrentar um dos melhores terceiros colocados entre os grupos C, D e E. Se for o segundo, pega o segundo melhor da chave C, que pode ser o Equador ou a Espanha em uma eventual surpresa na chave.

Os colombianos, no entanto, têm motivos para acreditar na equipe. Além de contarem com o apoio dos torcedores em seus domínios, o time está de confiança renovada após a vitória no Torneio de Toulon e o reforço do meia-atacante James Rodríguez para o Mundial.

Agora vai?

Antes do início do Sul-Americano, o técnico brasileiro Ney Franco, apontava a Colômbia como uma potencial candidata ao título. Era uma expectativa justificável diante da equipe que se alinhava para a disputa, mas a frustração foi ainda maior. As atuações ruins foram uma constante para todo o time. Na primeira fase os cafeteros empataram com o Equador por 1 a 1, perderam para o Brasil por 3 a 1, ganharam da Bolívia por 2 a 1 e empataram com o Paraguai em 3 a 3.  No Hexagonal o time perdeu para o Uruguai por 1 a 0, do Brasil por 2 a 0, do Chile por 3 a 1, da Argentina por 2 a 0 e empatou em 0 a 0 com o Equador.

A bem da verdade, apenas dois jogadores se destacaram no marasmo de partidas péssimas realizadas pelos colombianos no início do ano: Edwin Cardona, que marcou 4 gols e Fabian Castillo, eficiente em obter faltas para a equipe no campo de ataque. De resto... Fosse só pelo Sul-Americano o time da Colômbia entraria na disputa com um imenso rótulo de decepção inscrito em seu uniforme. No entanto, a salvação veio do local mais improvável... Da França.

Na disputa do Torneio de Toulon, que é sub-21, os colombianos mandaram um time totalmente sub-20 para a disputa. A intenção do técnico Eduardo Lara era justamente a de apagar a má impressão deixada na competição continental e ajustar seu time da forma mais rápida possível; contra adversários fortes. Com o reforço do craque James Rodríguez, que joga no Porto, e com alguns atletas de mais rodagem, como Jeison Murillo e Luis Muriel, os colombianos surpreenderam e faturaram o título.

O desempenho em Toulon foi extremamente positivo. Na fase de grupos, apenas o empate contra Portugal deixou a desejar. Em compensação, nos duelos seguintes, goleada com autoridade sobre a Costa do Marfim - 4 a 1 - e empate contra a Itália. Nas semifinais, vitória por 2 a 1 sobre o México e na decisão, triunfo nos pênaltis sobre os donos da casa, a França. Além dos resultados e de resgatar a autoconfiança de seus jogadores, a competição serviu para que alguns detalhes importantes da equipe titular fossem ajeitados por Eduardo Lara.

O técnico, aliás, tem um currículo invejável no que se refere às seleções de base colombianas. Desde sua chegada em 2000, ainda como assistente técnico de Reinaldo Rueda no Torneio de Toulon, onde também se sagrou campeão, o treinador mantém um retrospecto vitorioso. O ápice, sem dúvida, foi o inédito título do Sul-Americano Sub-20 em 2005. Lara ainda coleciona resultados prodigiosos como o vice do Sul-Americano Sub-17 em 2007 e uma campanha acima das expectativas no Mundial Sub-20 de 2005, encerrando a primeira fase com 100% de aproveitamento e caindo nas oitavas para a Argentina de Messi.

Sem Cardona, mas com James Rodríguez

Apesar de todos os méritos, Eduardo Lara não está acima de críticas e uma decisão tomada por ele às vésperas do torneio pode ser vital para o desempenho colombiano no Mundial. Lembram-se do atacante Edwin Cardona, destaque desde o sub-17 e melhor jogador colombiano na disputa do Sul-Americano deste ano? Pois é, Lara, decidiu não levar o atleta para a disputa da Fifa. Os motivos, segundo ele, foram de ordem técnica e de rendimento. Coincidência ou não, Cardona foi substituído em todos os jogos da Colômbia em Toulon. Na final, ele deixou o campo aos 40 minutos da primeira etapa, quando o jogo ainda estava 0 a 0.

A bem da verdade não há nenhum outro critério que pudesse ser enquadrado para esse corte, mas a reintegração de Michael Ortega, de torneio continental razoável e de contestado comportamento fora das quatro linhas, deixa dúvidas sobre até que ponto Cardona mereceria ficar de fora do grupo. Perguntado sobre como se sentia, o jogador foi direto: "Parece um pesadelo não estar na seleção por causa de critérios técnicos, mas é verdade (a alegação). Respeito Lara como professor e profissional, mas ele é humano e comete erros como qualquer outro. Agora tenho que estar tranquilo e torcer para disputar um dia uma Copa do Mundo".

A ausência de Edwin só não é mais absurda e impactante, porque Lara poderá contar com o melhor jogador desta geração: James Rodríguez, que teve grandes atuações pelo Porto na última temporada tanto em nível doméstico, quanto nas partidas que levaram o clube à conquista da Liga Europa. Será dele a responsabilidade de levar este time à frente... Esteja onde estiver dentro de campo.

Lara deverá manter o 4-4-2 do Sul-Americano, mas desta vez com Rodríguez como segundo atacante e com ampla liberdade para criar jogadas pelos lados e meio do campo. Nos flancos, Miranda Candelo deverá ser o substituto de Cardona, com Javier Calle do outro lado do campo e Fabián Castillo ou Muriel Fruto no comando de ataque. A camisa 9, aliás, é um dos problemas do time. Fruto fez apenas um gol nos cinco jogos em Toulon e Castillo não fez nenhum nos nove jogos realizados pelos cafeteros.

No meio, o técnico colombiano ainda parece ter dúvidas em relação ao companheiro do volante Didier Moreno. No Sul-Americano, jogaram Juan Cabezas e Miguel Julio. Em Toulon, Escobar foi testado, mas não sobreviveu ao corte para o Mundial. O mais provável é que Cabezas ganhe a vaga, mas Lara pode ainda querer testar outros nomes, como Sebastian Perez ou o próprio Michael Ortega.

Na defesa, Bonilla teve grandes atuações e deve deverá ganhar a concorrência com Andrés Mosquera pela titularidade na meta colombiana. Na defesa, apenas o lateral-direito Arias e o zagueiro Franco seguem como titulares em relação ao Sul-Americano. A zaga deverá ser completada com Jeison Murillo e Quiñonez na lateral esquerda. É assim, com um time reformado, mas de bom desempenho recente, com foco nas jogadas ofensivas pelos lados de campo, que a Colômbia pretende avançar na competição.

CURTAS

Chuteira caliente

Falar artilheiro é forçar a barra em relação a Muriel Fruto, mas a verdade é que, com a ausência de Edwin Cardona, os colombianos terão que jogar suas fichas no faro de gol do atacante da Udinese, que será emprestado ao Granada para a temporada 2011/12. No torneio de Toulon, Muriel anotou um gol na vitória por 4 a 1 ante a Costa do Marfim e foi só. A esperança é de que ele encontre o caminho dos gols ao longo da fase de grupos.

Pelota Cuadrada

Badalado como meia habilidoso e grande opção criativa no Sul-Americano do início do ano, Michael Ortega fez apenas uma boa partida na disputa continental, no empate em 3 a 3 com o Paraguai. Não bastasse o desempenho ruim, Ortega ainda é acusado pela imprensa de criar um clima ruim dentro do grupo. De fora do Torneio de Toulon, parecia sem chances de retornar para o Mundial, mas Lara surpreendeu e chamou o garoto. No entanto, ao que tudo indica, Ortega deverá esquentar o banco neste início de competição.

El Libertador

Não haveria como ser diferente. Destaque no Porto, destaque em Toulon, capitão do time... A Colômbia do Mundial Sub-20 é James Rodríguez mais dez. Rápido, habilidoso e capaz de criar jogadas, há a certeza de que o time cafetero depende de suas boas atuações para ir adiante na competição e ele sabe da responsabilidade. "Ter a confiança do professor Lara e ser capitão é algo muito especial para mim. Haverá muita pressão e devo saber lidar com isso", afirma. Por incrível que pareça, a altitude de algumas cidades colombianas pode ser um empecilho para James, que não está mais habituado às alturas do país. Ele, no entanto, diz que está preparado e bem para jogar em qualquer lugar.

ELENCO

Goleiros

Andrés Mosquera (Bogotá FC) - 10/09/1992
Cristian Bonilla (Manchester City) - 02/06/1993
Juan Sebastian Villate (Millonarios) - 14/02/1991

Defensores

Pedro Franco (Millonarios) - 23/04/1991
Jeison Murillo (Granada-ESP) - 25/05/1992
Santiago Arias (Sporting-POR) - 13/01/1992
Héctor Quiñonez (Deportivo Cali) - 13/03/1992
Luciano Ospina (Huracán-ARG) - 18/02/1991
Jhon Mosquera (Envigado) - 17/02/1991
Juan David Diaz (Deportivo Pasto) - 10/10/1992 

Meiocampistas

Juan David Cabezas (Deportivo Cali) - 27/02/1991
Didier Moreno (Independiente Santa Fe) - 15/09/1991
Sebastian Perez (Atlético Nacional) - 29/03/1993
Yerson Candelo (Deportivo Cali) - 24/02/1992
Javier Calle (Independiente Medellín) - 29/03/1991
Michael Ortega (Atlas-MEX) - 06/03/1991
James Rodríguez (Porto-POR) - 12/06/1992

Atacantes

Duván Zapata (América de Cali) - 4/01/1991
José Adolfo Valencia (Independiente Santa Fe) - 19/12/1991
Luis Fernando Muriel "Fruto" (Udinese) - 16/03/1991
Fabián Castillo (FC Dallas-EUA) - 17/06/1992 



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