Lucas Alencar - 20/07/2011
Entre os oito melhores no último Mundial, a Coreia do Sul chega à edição de 2011 querendo deixar pra trás o estigma de zebra, que sempre lhe fora colocado. O motivo é simples: em 2009, a equipe mostrou consistência e foi até as quartas de finais do torneio, parando somente na campeã Gana em um 3 a 2 disputadíssimo.
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A campanha naquele ano foi um misto de irregularidade e competência ofensiva. Os sul-coreanos estrearam com uma derrota por 2 a 0 contra Camarões, que no futuro acabaria como lanterna do grupo, depois empataram em 1 a 1 com a favorita Alemanha e encerraram a fase com uma grande vitória por 3 a 0 contra os Estados Unidos.
Na fase seguinte, a força ofensiva voltou a aparecer e os sul-coreanos despacharam o tradicional Paraguai pelos mesmos 3 a 0. A trajetória findou dias depois com um revés contra os ganeses, já supracitado. Mas não é só na mais recente aparição em Mundial que a Coreia do Sul poderá se espelhar. No já longínquo ano de 1983, os asiáticos foram às semifinais. E novamente a eliminação só veio diante dos campeões.
Naquela ocasião, o Brasil, que teve o inspirado Geovani como destaque, foi o algoz. Mas como em 2009, a Coreia do Sul vendeu caro a derrota. Fez 1 a 0 com menos de 15 minutos, mas acabou sofrendo a virada aos 22 minutos do primeiro tempo e aos 36 do segundo. A terceira colocação também não foi possível. Os poloneses ficaram com a medalha com um triunfo também por 2 a 1.
Os resultados para chegar até esses confrontos, entretanto, foram expressivos. Na primeira fase, vitórias sobre México, donos da casa, e Austrália. Nas quartas de finais, triunfo contra os uruguaios.
Vitória heroica para chegar ao Mundial
Para chegar ao Mundial da Colômbia, a Coreia do Sul precisou suar muito na partida que classificaria o vencedor à competição. Depois de jogos tranquilos na fase de qualificação e na primeira parte da fase final, os sul-coreanos tiveram uma verdadeira pedreira nas quartas de final: os japoneses.
Porém, o poder de recuperação dos sul-coreanos falou mais alto. Depois de estar perdendo por 2 a 0 em 30 minutos de partida, eles emplacaram uma reviravolta fantástica e fizeram 3 a 2 antes do término da primeira etapa. Seus destaques individuais na competição foram os atacantes Jung Seung-Yong e Ji Dong-Won com dois gols cada, sendo que este último já é jogador da seleção principal e não vai à Colômbia.
A preparação para o Mundial neste ano se deu em apenas três partidas, durante a Suwon Cup no mês de maio. A competição, disputada na própria Coreia do Sul, reuniu quatro seleções – Uruguai, Nova Zelândia e Nigéria, além dos anfitriões – e teve formato simples: todos jogaram contra todos e quem fizesse mais pontos ficaria com o título.
Os Reds estrearam com derrota por 1 a 0 frente aos nigerianos. No segundo jogo, a equipe se recuperou com uma vitória sobre a Nova Zelândia pelo mesmo placar, e na última rodada ficou no empate em 1 a 1 com o Uruguai. Como a seleção sul-americana chegou à rodada final com quatro pontos contra três da Coreia do Sul, ela ficou com o título. Os asiáticos ficaram com o terceiro lugar, igualado em pontos com a Nigéria, mas atrás pelos critérios técnicos.
Eventualmente, a equipe também se reuniu para algumas sessões de treinamentos.
A equipe sul-coreana sub-20, assim como toda a categoria de base do país, é treinada há 10 anos por Lee Kwang-Jong, 47. O profissional é conhecido e se auto-define como um adepto de futebol super ofensivo. Entretanto, os últimos resultados não tem mostrado isso. No Campeonato Asiático sub-19 do ano passado, a enxurrada de gols só apareceu na fase de qualificação para a competição, mas foi contra adversários de baixo nível técnico. Na fase final, foram apenas seis gols em cinco jogos. Na Suwon Cup, como já citado, foram dois gols em três partidas.
Sem a principal referência
Do time que se classificou para o Mundial, apenas dois jogadores titulares não poderão participar. Um deles, no entanto, era peça fundamental: o atacante Ji Dong-Won, do Sunderland. Autor de dois gols no Asiático sub-19, o jogador era a referência do time e chamava a responsabilidade. Suas qualidades eram tantas que o treinador da seleção principal, Cho Kwang-Rae, não perdeu tempo e passou a convocá-lo constantemente. E ele não desperdiçou as chances: em 11 partidas foi às redes por seis vezes.
O outro desfalque será o zagueiro Lee Kwang-Jin, que compunha o setor defensivo com Kim Jin-Su e Hwang Do-Yeon. A ausência do beque é uma surpresa, pois foi titular em quase todos os jogos no ano passado, e não vai participar, surpreendentemente, por opção do técnico. O esquema de jogo, porém não deverá ser alterado. Lee Kwang-Jong tem predileção por uma formação com três zagueiros fixos, cinco meiocampistas, sendo dois wingers bem participativos, e dois atacantes.
O ponto forte que restou depois da saída de Ji Dong-Won foi o meia Yun Il-Rok. De passe refinado, as principais jogadas ofensivas da equipe saem dos pés dele. Além disso, ele tem bastante espírito de grupo, pois vem “subindo” com muitos dos jogadores desde o sub-17. Por essa categoria, aliás, ele também foi de suma importância. No Mundial de 2009, na Nigéria, o meia deu uma assistência primorosa no gol de empate dos sul-coreanos contra o México, que levou o jogo à prorrogação.
O time sul-coreano é composto, majoritariamente, por jogadores que atuam no país. A exceção é o atacante Lee Yong-Jae, que atua no Nantes da França, onde está desde 2009. O jogador está fora do país desde 2007, quando foi negociado pelo Pohang Jecheol com o Watford da Inglaterra. Apesar da experiência internacional, Yong-Jae é pouco aproveitado pelo técnico Kwang-Jong. Quando é, também não tem demonstrado muita qualidade.
CURTAS
Chuteira caliente
Jung Seung-Yong. Sem a referência Ji Dong-Won no time, que rumou para a seleção principal neste ano e não pôde ser convocado, o jogador será a esperança de gols dos sul-coreanos, que não se notabilizaram na fase final do Campeonato Asiático como um time fazedor de gols. Foram apenas seis em cinco jogos. Seung-Yong foi autor de dois deles. Por sinal, foram os únicos gols marcados por ele atuando na seleção sul-coreana sub-20.
Pelota cuadrada
Lee Yong-Jae. Único jogador da seleção que atua fora do país, o atacante não tem correspondido as expectativas criadas em torno dele. O jogador saiu da Coreia do Sul aos 16 anos para o Watford e depois foi negociado com o Nantes. Nos clubes, seu futuro parece promissor, na seleção está bem longe disso. Ele tem sido uma das últimas opções do técnico Lee Kwang-Jong.
El L
ibertador
Yun Il-Rok. É, literalmente, o maestro do time. É quem dá cadência ou acelera o jogo e tem passes precisos. Aos 19 anos, ele ainda não é um titular absoluto do Gyeongnam FC, mas não menos importante. Na última temporada, esteve em campo por quase 1000 minutos em 14 partidas e assinalou três gols. Destas, ele jogou como titular por nove vezes. Divide o protagonismo da equipe com o também meia Choi Sung-Guen, após a saída do atacante Ji Dong-Won.
ELENCO
Goleiros
No Dong-Geon (Korea University) – 04/10/1991
Yang Han-Been (Gangwon FC) – 30/08/1991
Kim Jin-Young (Konkuk University) – 02/03/1992
Defensores
Rim Chang-Woo (Ulsan Hyundai FC) – 13/02/1992
Kim Jin-Su (Kyunghee University) – 13/06/1992
Lee Joo-Young (Sungkyunkwan University) – 16/03/1991
Hwang Do-Yeon (Chunnam Dragons) – 27/02/1991
Min Sang-Gi (Suwon Samsung Bluewings) – 27/08/1991
Jang Hyun-Soo (Yonsei University) – 28/09/1991
Meiocampistas
Choi Sung-Guen (Korea University) – 28/07/1991
Lee Min-Soo (Hannam University) – 11/01/1992
Baek Sung-Dong (Yonsei University) – 13/08/1991
Kim Kyung-Jung (Korea University) – 16/04/1991
Lee Ki-Je (Dongguk University) – 09/07/1991
Kim Young-Uk (Chunnam Dragons) – 29/04/1991
Nam Seung-Woo (Yonsei University) – 18/02/1992
Yoon Il-Rok (Gyeongnam FC) – 07/03/1992
Moon Sang-Yun (Ajou University) – 09/01/1991
Atacantes
Lee Yong-Jae (FC Nantes/FRA) – 08/06/1991
Jung Seung-Yong (Gyeongnam FC) – 25/03/1991
Lee Jong-Ho (Chunnam Dragons) – 24/02/1992
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