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Mundial Sub-20 2011

Mundial Sub-20: Portugal

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Lincoln Chaves - 21/07/2011

Luís Figo, Eusébio ou Cristiano Ronaldo: quem é o maior jogador português de todos os tempos? Há quem penda ao Pantera Negra, ídolo do Benfica e da seleção das Quinas na década de 60. Outros avaliam que as conquistas de Liga dos Campeões, Premier League e Mundial de Clubes credenciam o atacante do Real Madrid a ser considerado o grande futebolísta da terrinha. Mas uma parcela considerável defende que "o cara" é mesmo Figo. Muito por ter encabeçado aquela que ficou consagrada com a Geração de Ouro portuguesa, responsável pelos dois maiores feitos do país em nível de seleção: as conquistas dos Mundiais Sub-20 de 1989 e 1991 - esta última tendo Figo como um dos artífices.

Sempre que Portugal está nesta competição, os feitos de 20 anos atrás são retomados. Vêm à memória a equipe que foi à Arábia Saudita em 1989, comandada por Fernando Couto, Jorge Couto, Folha e João Pinto. Um time que superou Nigéria, Tchecoslováquia e os próprios sauditas na primeira fase; bateu a Colômbia de Óscar Córdoba nas quartas, o Brasil de Assis e Marcelinho Carioca nas semis, e novamente os nigerianos - agora na decisão, conquistando o título inédito. Também se retoma a seleção de 1991, de Figo, Rui Costa, João Vieira Pinto e Emílio Peixe, que em casa, conduziu Portugal ao bicampeonato mundial sub-20, derrotando nos pênaltis o Brasil de Roberto Carlos, Élber e Paulo Nunes.

Os tugas ainda fariam bonito no Qatar, em 1995, com Nuno Gomes liderando a equipe que ficaria com o bronze. Mas daí em diante, Portugal disputou o torneio em somente mais duas ocasiões. Em 1999, com Simão Sabrosa, Portugal chegou às oitavas de final, mas caiu para o Japão nos pênaltis. Já em 2007, longe de empolgar, o time que tinha Bruno Gama como grande promessa - e contava com o então atacante Fábio Coentrão - também se posicionou entre os 16 primeiros, mas foi despachado pelo Chile de Alexis Sánchez. E repetir o feito de quatro anos atrás, aliás, é o mínimo que se espera na terrinha. Ir além disso dependerá da liga que a equipe criar entre si e de um pouco de sorte no chaveamento do mata-mata.

Invicto, mas...

O pé atrás no tocante à campanha portuguesa passa pela fraca fase final do Europeu Sub-19. O começo, curiosamente, foi bastante promissor. Na fase de grupos inicial, disputada na Espanha, 100% de aproveitamento e vitória sobre os donos da casa. No Elite Round, jogado na Hungria, Portugal novamente se classificou como melhor de sua chave, superando Grécia, Romênia e os próprios húngaros. E a fase final também foi marcada por um bom pontapé inicial, com vitória sobre a Itália. No entanto, a fragilidade lusa se evidenciou nos jogos seguintes, com as derrotas para Espanha (2 a 1) e Croácia (5 a 0). Apesar do fraco desempenho, o fracasso retumbante dos italianos ajudou os tugas a se garantirem no Mundial.

De lá para cá, passou-se um ano, com vários estágios de preparação, alguns jogos amistosos e a participação no tradicional Torneio de Toulon. O primeiro encontro para treinos ocorreu em setembro, em Rio Maior. Para além deste, foram realizados outros cinco estágios voltados a treinamentos, todos em Portugal. Em outubro, um empate significativo com a campeã europeia sub-19 França em 3 a 3. Em dezembro, um novo empate, desta vez em 1 a 1 com o time sub-21 de Montenegro, que ainda mantinha alguma animação. A terceira igualdade consecutiva, em fevereiro, com os sub-21 noruegueses (1 a 1), por sua vez, acendeu um sinalzinho de alerta que só poderia ser melhor observado em Toulon.

O desempenho na França não foi ruim, até porque Portugal encerrou o torneio invicto. No entanto, a seleção das Quinas mostrou, mais uma vez, dificuldade em vencer. Empatou em 1 a 1 com Colômbia e Itália, e chegou até a conquistar seu primeiro triunfo desde a vitória sobre os italianos no Europeu, ao fazer 1 a 0 na Costa do Marfim. Resultado insuficiente, porém, para levar os tugas às semifinais. Após Toulon, mais dois amistosos, ante Egito (duas vezes) e Nigéria - e três empates. Antes do Mundial, já com os jogadores convocados para o torneio, os portugueses ainda disputarão um torneio preparatório no Panamá. Começaram com mais uma igualdade, agora com o México, mas ao menos voltaram a vencer: 2 a 0 na Nigéria.

No comando da nau portuguesa que desembarcará em terras colombianas está Ilídio Vale, que é também coordenador técnico das seleções de formação do país desde 2010. Tem um histórico de trabalhos nas categorias de base do Porto, tendo passado pelas equipes sub-17 e sub-19 e chegado também à direção do departamento de formação. No comando dos selecionados sub-19 e sub-20 desde 2009, chegou a intercalar períodos com as seleções sub-15 e sub-23 durante a preparação para o Mundial. Com os sub-23, conquistou a Challenge Trophy deste ano, contra a Inglaterra.

No desenho da principal

Se o 4-4-2 é o esquema mais popular do planeta, o 4-3-3 - e suas variações, claro - é a formação que ocupa esse posto em Portugal, sendo utilizada pela maioria das equipes do país (como o Porto, campeão nacional). Não a toa, é o estilo de jogo que a seleção das Quinas já utiliza há um tempo, tanto com Carlos Queiroz no pré-Copa e durante o Mundial da África do Sul, como com Paulo Bento desde que assumiu o comando do time principal. Na base, não é diferente, e Ilídio Vale tem adotado esse esquema, alterando uma ou outra posição no meio ou no ataque — mesmo que nos últimos dois jogos, tenha treinado o 4-4-2 de início, adaptando-o ao 4-3-3 no desenrolar dos confrontos.

Na linha defensiva, uma amálgama de formados em Benfica e Sporting. O leão Cedric é o favorito para a lateral direita, bem como o antigo companheiro de Alvalade Nuno Reis na a zaga, ao lado de Roderick (ausente dos últimos jogos preparatórios devido à pré-temporada do Benfica). Na esquerda, Mário Rui, outro revelado na Luz, é o mais cotado. A grande ausência é Aníbal Capela, provável titular que chegou até a realizar partidas pelo Braga na Liga Europa passada, mas sofreu lesão de última hora e acabou cortado (veio Tiago Ferreira, portista e mais jovem do elenco). Pelo meio, a maior certeza é o volante Danilo Pereira. Daí em diante, as dúvidas estão em Pelé, Saná e Sérgio Oliveira, chamando atenção a ausência de Brígido, do União de Leiria, entre os chamados.

À frente, a questão está em como a equipe atuará - se com dois homens mais próximos da área e outro que flutuará no campo de ataque, ou se com um centroavante e dois avantes caindo pelas pontas. Titular nas últimas partidas, Caetano é nome quase certo no onze que debutará no Mundial. Poderá jogar com os centroavantes Nelson Oliveira e Amido Baldé - ou com somente um deles, mais Rafael Lopes ou Alex. Independente de quem for a campo, porém, o desafio será traduzir as chances criadas em gols, algo que andou escasso nos recentes confrontos preparatórios. A segurança maior soa mesmo estar no gol, com o leiriense Mika despontando como dono da camisa 1.

CURTAS

Chuteira caliente

Nelson Oliveira. O benfiquista é apontado como um sucessor bem melhorado de Pauleta, maior artilheiro da história da seleção das Quinas. Seus números na base encarnada justificam a aposta (foram 59 gols em 60 partidas na formação até 2009, antes de ser emprestado), mesmo que entre os profissionais (defendeu Rio Ave e Paços de Ferreira e agradou, mesmo sem marcar tantos gols), Nelson ainda não tenha engrenado. Há tempo, e o Mundial Sub-20 pode ser o divisor de águas para o atacante cuja multa rescisória é de 30 milhões de euros.

Pelota Cuadrada

Sérgio Oliveira. Mais jovem jogador a defender o Porto em uma partida profissional, o volante também é avaliado em 30 milhões de euros e visto como principal prodígio do país para o setor. Em sua primeira experiência regular na primeira divisão, no entanto, decepcionou. Emprestado ao Beira-Mar, foi na contramão da equipe, que fez boa campanha no último Campeonato Português, e logo perdeu espaço e chances entre os titulares. Na Colômbia, terá a chance de mostrar se retornou à forma que o consagrou na base do Dragão.

El Libertador

Roderick. Capitão português durante o Europeu Sub-19, é há tempos observado pelos técnicos que passaram pelo Benfica, ainda que estes pouco o tenham testado. Nas seleções de base, é um dos mais experientes. Chegou a ter sua participação no Mundial ameaçada ao ser chamado para a pré-temporada encarnada, mas viajou com o grupo e está garantido na Colômbia. De bom posicionamento e senso de marcação, é tido como o defensor mais promissor do país. Caso se destaque, Jorge Jesus não terá desculpa para preteri-lo em Lisboa.
 
ELENCO

Goleiros
1 - Mika (União de Leiria) - 08/03/1991
12 - Tiago Maia (Porto) - 18/09/1992
19 - Luís Ribeiro (Sporting) - 19/04/1992

Defensores
3 - Tiago Ferreira (Porto) - 10/07/1993
4 - Nuno Reis (Cercle Brugge-BEL/Sporting) - 31/01/1991
5 - Roderick (Benfica) - 30/03/1991
8 - Cédric (Acadêmica/Sporting) - 31/08/1991
13 - Luís Martins (Benfica) - 10/06/1992
20 - Mário Rui (Parma-ITA) - 27/05/1991

Meias
2 - Pelé (Genoa-ITA) - 29/07/1991
6 - Júlio Alves (Rio Ave) - 26/06/1991
10 - Lassana Camará "Saná" (Valladolid-ESP) - 29/12/1991
15 - Danilo Pereira (Parma/ITA) - 09/07/1991
17 - Sérgio Oliveira (Beira-Mar/Porto) - 02/06/1992
18 - Ricardo Dias (Santa Clara/Porto) - 25/02/1991

Atacantes
7 - Nélson Oliveira (Benfica) - 08/08/1991
9 - Amido Baldé (Badajoz-ESP/Sporting) - 16/05/1991
11 - Caetano (Paços de Ferreira) - 20/04/1991
14 - Alex (Santa Clara) - 27/08/1991
16 - Serginho (Trofense) - 21/02/1991
21 - Rafael Lopes (Varzim) - 28/07/1991



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