Leonardo Sacco - 21/07/2011
Vestida inteira de branco e com praticamente nenhuma tradição no futebol, a Nova Zelândia leva para o Mundial Sub-20 uma equipe que tem para o esporte no país uma função muito maior do que simplesmente ganhar jogos. O Junior All Whites chega à Colômbia sem muitas pretensões dentro do torneio, mas com a esperança de dar aos neozelandeses um futuro melhor dentro do esporte bretão. Os meninos que representarão o país da Oceania são o começo de um projeto de crescimento do futebol que passou pela boa campanha na Copa do Mundo de 2010 e que, recentemente, deu bons frutos no Mundial Sub-17, quando a equipe juvenil avançou até as oitavas.
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Para representar bem a Nova Zelândia, porém, os meninos terão muitas dificuldades, começando pela completa falta de tradição do país no torneio. Os All Whites farão apenas a sua segunda participação no Mundial, tendo a campanha de 2007, quando cairam ainda na fase de grupos, como sua solitária experiência nessa competição. A saída da Austrália para as Eliminatórias asiáticas é a explicação mais plausível para a presença obtida sem muitas dificuldades, apesar de uma melhora sensível ser notada no futebol dos garotos neozelandeses.
A fragilidade do time, porém, é evidente e o objetivo imediato é não ser o saco de pancadas do grupo – função que os neozelandeses assumiram no Mundial de 2007. Somar um ponto que seja já seria um fato inédito e motivo para alguma comemoração. A imprensa local, porém, espera que no mínimo os garotos desta geração mantenham os bons resultados recentes, quando os garotos do sub-17 garantiram vagas inéditas em fases posteriores à de grupo nas competições mundiais.
A boa campanha no Mundial Sub-17, aliás, já rendeu frutos ao time sub-20, que contará com dois jogadores que se destacaram na campanha em solo mexicano: o bom goleiro Scott Baselaj e o habilidoso atacante Tim Payne, ambos nascidos em 1994. Enquanto o primeiro conta com a confiança de todo o elenco e deverá assumir a condição de titular na Colômbia, o segundo é tido como a grande promessa do futebol local, sendo cotado para iniciar a competição no banco de reservas, entrando no decorrer das partidas para, quem sabe, se firmar como titular ao longo do torneio.
O velho problema da preparação
Se realmente pretende consolidar sua seleção como presença constante em competições Fifa, sejam elas profissionais ou das categorias de base, a Nova Zelândia segue tropeçando em problemas amadores que prejudicam a formação de grupos mais fortes para as disputas. A preparação dos All Whites para Mundial Sub-20 é uma evidência de que falta melhor estrutura e atenção na hora de consolidar os trabalhos. Batendo de frente sempre com adversários de nível técnico muito inferior, os neozelandeses acabam chegando às competições maiores sem as condições adequadas para disputar algo maior.
O começo de tudo está nas Eliminatórias. Vencida pela segunda vez consecutiva da Nova Zelândia, o campeonato da Oceania não mostra em nenhum momento uma melhora absurda dos neozelandeses. Pelo contrário, prova que a ausência da Austrália, que agora luta em competições mais niveladas na Ásia, fará com que os All Whites tenham chances constantes de se manter em competições mundiais. Se aproveita essa superioridade técnica diante de frágeis rivais locais, os neozelandeses, por outro lado, em nenhum momento buscam adversários mais fortes após a confirmação de sua classificação.
Nas Eliminatórias, nenhum problema para os All Whites, que venceram todas as suas quatro partidas com margem de gols confortável, encerrando a competição com um ataque que anotou 22 vezes e uma defesa que foi vazada em apenas uma oportunidade. Números que podem impressionar, mas que não condizem com a realidade. Sem marcar amistosos contra adversários mais fortes, os neozelandeses decepcionaram na única partida que fizeram antes de embarcar para a Colômbia, derrota para os profissionais do Wellington Phoenix, time que disputa a primeira divisão local.
O revés por 2 a 1, porém, foi encarado de maneira positiva pelo treinador Chris Milicich e também pela imprensa, que consideram o resultado adverso diante de um time profissional algo normal. Sem mais partidas previstas para antes do Mundial, os All Whites confiam nos muitos treinamentos que vem sendo realizados desde o começo de julho, quando a lista de convocações foi divulgada. O entrosamento entre os atletas, que na maioria dos casos disputam a ASB Premiership, campeonato nacional da Nova Zelândia, também é um dos fatores de confiança no time.
Para dar alguma melhoria à preparação, os All Whites ainda realizarão dois amistosos de calibre um pouco mais destacado. Logo após o desembarque na Colômbia enfrentarão os donos da casa em partida a ser realizada em Bogotá, mesma cidade na qual enfrentarão também a equipe do Millionarios, exatamente uma semana antes da estreia no
Mundial diante de Camarões.
A boa e velha tática do contra-ataque
Se aposta em certo entrosamento de seus atletas por conta de times em comum, a Nova Zelândia sabe de suas limitações e, por isso, adota um sistema de jogo bastante conhecido pelo futebol local: ênfase total na defesa e aposta nos contra-ataques para surpreender os adversários. Uma tática que deu certo tanto entre os profissionais quanto entre os jovens do país, e que vem se tornando uma espécie de “escola” neozelandesa, ainda que o termo seja muito exagerado.
E para somar seus primeiros pontos na história do Mundial Sub-20, os All Whites terão uma defesa forte e reforçada com o goleiro /94 Scott Basalaj, uma promessa do país e que promete repetir na Colômbia as ótimas atuações que fez no México durante o Mundial Sub-17, quando afastou qualquer suspeita sobre seu futebol após seguidas falhas e que o credenciaram a ser colocado em uma seleção com jogadores mais velhos e experientes com grandes chances de ser titular absoluto. Ainda na defesa, a velha tática do ferrolho, tão consagrada em equipes com nível técnico abaixo do comum, será repetida pelo treinador Milicich.
Para atacar, muita velocidade pelas pontas e um atacante de referência dentro da área. Para conduzir o time ao ataque, o destaque é o meio-campista Marco Rojas, jogador que atua no futebol australiano, grande referência da região. Cerebral e com facilidade para fazer gols, o jogador é uma das apostas de um time que se vale também de jogadas de bola parada para chegar à meta adversária. Não por acaso os defensores Nick Branch e James Musa são sempre boas opções e costumam anotar alguns tentos importantes em bolas alçadas na área.
Quase que isolado no ataque está a outra esperança de gols neozelandesa, Dakota Lucas. Com boa colocação dentro da área, o atacante é a referência para os armadores do time e costuma ser frio na hora das finalizações. Pode, ao longo do torneio, ter a importante ajuda de Tim Payne, prodígio neozelandês e grande esperança do futebol local para o futuro. Payne, destaque no Mundial Sub-17, ainda não tem vaga garantida no time titular, mas conta com seu bom desempenho recente e o apoio da imprensa local para cavar seu lugar entre os principais jogadores do elenco.
E se conta com essa tática de defesa e talvez algum talento em pés como os de Payne, os All Whites sofrem e muito com a falta de criatividade. Problema crônico no futebol do país, a qualidade no passe e na chegada ao ataque atinge também o time sub-20. A equipe, então, se limita a destruir e contra-atacar com velocidade – e quase nunca com qualidade e jogadas bem pensadas. Resta, então, a esperança de que o ataque esteja inspirado e não perca as chances criadas, uma vez que estas costumam ser escassas e quase sempre vindas a partir de lançamentos, cruzamentos e chutões.
CURTAS
Chuteira Caliente
Dakota Lucas. Apesar de atuar no futebol neozelandês e não ter chamado a atenção de times estrangeiros, é a esperança de gols dos All Whites. Se não prima pela técnica apurada, costuma ser muito frio quando se encontra frente a frente dos goleiros adversários, além de ser totalmente adaptado ao fato de seus companheiros de armação não contarem com a técnica mais apurada possível, criando muitos ataques difíceis de terminarem com boas finalizações.
Pelota Cuadrada
Stefan Marinovic. O goleiro foi titular absoluto durante as Eliminatórias, mas perdeu a vaga de forma inesperada com o bom Mundial sub-17 feito por Scott Baselaj. Assim, perdeu a confiança da comissão técnica e já tem a titularidade colocada em risco. A opção pelo arqueiro mais jovem, de acordo com a imprensa local, é uma clara demonstração na falta de segurança que o jogador, que atua na terceira divisão alemã, tem passado aos companheiros nos treinamentos mais recentes.
El Libertador
Nick Branch. Capitão do time, é responsável por organizar e manter a solidez do sistema defensivo dos All Whites. Comandando o principal setor neozelandês, o zagueiro é do tipo que não joga bonito e é adepto dos chutões, conquistando assim a torcida local e também a confiança de seus companheiros. Ainda tem certa importância no ataque, onde costuma marcar seus gols nas jogadas de bola parada com bom posicionamento dentro da área e boa impulsão na hora de cabecear.
ELENCO
Goleiros
Stefan Marinovic (SV Wehen Wiesbaden – ALE) – 10 de julho de 1991
Scott Basalaj (Lower Hutt City) – 19 de abril de 1994
Coey Turipa (Brisbane Wolves – AUS) – 12 de fevereiro de 1992
Defensores
Nick Branch (Central United) – 28 de janeiro de 1991
Nikko Boxall (Central United) – 14 de setembro de 1991
Anthony Hobbs (Waitakere City) – 6 de abril de 1991
James Musa (Waitakere City) – 1º de abril de 1992
Luke Rowe (Birmingham City – ING) – 25 de julho de 1992
Mikey Kramer (Melville United) – dezembro de 1994
Liam Higgins (Lower Hutt City) – 27 de setembro de 1993
Meio-campistas
Ryan Cain (Western Suburbs) – 7 de dezembro de 1992
Cameron Lindsay (Blackburn Rovers – ING) – 21 de dezembro de 1992
Andrew Milne (Auckland City FC) – 1º de março de 1992
Colin Murphy (Onehunga Sports) – 19 de março de 1991
Marco Rojas (Melbourne Victory – AUS) – 5 de novembro de 1991
Adam Thomas (Melville United) – 1º de abril de 1992
Atacantes
Andrew Bevin (Napier City Rovers) – 16 de maio de 1992
Sean Lovemore (Onehunga Sports) – 8 de junho de 1992
Ethan Galbraith (Lower Hutt City) – 25 de agosto de 1991
Tim Payne (Waitakere City) – 10 de janeiro de 1994
Dakota Lucas (Waitakere City) – 26 de julho de 1991
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