Olavo Soares - 23/07/2011
A seleção da Austrália disputará em 2011 seu 11º Mundial Sub-20, num total de 18 edições. Embora possamos dizer que até 2006 – quando o futebol do país se mudou para a Ásia – o time não encarava um contexto de competitividade nas eliminatórias, não se pode desprezar o retrospecto, que inclui duas chegadas às semifinais (em 1991 e 1993).
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Até porque a mudança para a Federação Asiática parece ter feito bem ao futebol australiano. Os “young socceroos” não têm feito feio no maior continente do mundo – por pouco não levantaram a taça do Asiático Sub-19, o torneio qualificatório para o Mundial. O time foi o vice-campeão, parando somente na Coreia do Norte na decisão.
A Austrália chega ao Mundial Sub-20 para compor o Grupo C ao lado de Equador, Costa Rica e Espanha. O favoritismo fica, logicamente, com os espanhóis, vice-campeões europeus. A partir daí, tudo se nivela – embora Costa Rica e Equador possam até se beneficiar pela proximidade com a Colômbia, o país-sede.
É na estrutura para preparação dos atletas que se encontra a principal arma dos australianos para o torneio. Tal qual ocorre com a equipe sub-17, o time sub-20 dispõe de aparatos de primeiro mundo para a formação dos jogadores. O governo australiano mantém uma entidade chamada Australian Institute of Sport (AIS), que se responsabiliza pelo oferecimento da estrutura para diversas modalidades, entre elas o futebol.
Com base nas facilidades apresentadas por AIS e pela federação local, o time australiano vem se preparando de maneira sólida. Uma das preocupações da equipe é a altitude colombiana. Para driblar o problema, a comissão técnica dispõe de tecnologia de ponta e tem aclimatado o time em municípios dos EUA mais distantes do nível do mar. Amistosos contra seleções de nível – Coreia do Sul, que jogará o Mundial, e Alemanha, que embora excluída do torneio sempre deve ser respeitada foram adversários – têm sido utilizados na reta final de preparação.
Boa trajetória
Não restam dúvidas, portanto, de que a Austrália levará o Mundial a sério. O torneio é mais uma forma de mostrar ao planeta que o futebol local deve ser respeitado. Já há cerca de 10 anos a Austrália tem feito aparições dignas no planeta bola, disputando as duas últimas Copas do Mundo.
O torneio que levou o time sub-20 australiano ao Mundial da Colômbia foi o Asiático Sub-19 de 2010. A competição ocorreu na China no mês de outubro. A Austrália chegara à competição após passar pelas eliminatórias sem maiores dificuldades. Na fase de grupos, também mostrou autoridade ao liderar uma chave que continha Coreia do Sul, Iêmen e Irã.
Nas quartas de final, o clube encarou a seleção dos Emirados Árabes Unidos naquela que talvez fosse a partida mais importante de toda a competição – mais do que definir uma vaga nas semifinais, o duelo também apontaria qual das duas equipes iria ao Mundial em 2011.
E a Austrália mostrou autoridade e espírito de decisão. Vencia os árabes por 2x1 até os instantes finais da partida, quando sofreu o empate; mas na prorrogação encontrou forças para ir às redes duas vezes, com James Fletcher e Dylan McGowan, assim avançando e confirmando a viagem à Colômbia. No restante do torneio, ainda derrotou a Arábia Saudita nas semifinais e depois parou diante da Coreia do Norte na decisão.
Experiência
Além de estrutura, o grupo australiano que irá ao Mundial Sub-20 tem bagagem. Cinco jogadores estiveram no elenco que disputou o Mundial de 2009 no Egito – Thomas Oar, Kofi Danning, Benjamim Kantarovski, Rhyan Grant e Sam Gallagher. Aliás, que eles tenham adquirido vivência para não repetir o desempenho apresentado na África dois anos atrás, com três derrotas em três partidas (com direito a um gol de Paulo Henrique Ganso no 3x1 imposto pelo Brasil).
Praticamente todos os jogadores estão vinculados a clubes que disputam elites nacionais – seja na Austrália, seja em outros países. Do grupo, quatro atuam na Europa: Bulut na República Tcheca, Leckie na Alemanha, Oar na Holanda e Warren na Inglaterra. Thomas Oar é um dos mais vividos do elenco. É um dos cinco que jogou o Mundial de 2009, atua fora do país e tem até experiência na seleção principal. Na Holanda, é visto como uma boa alternativa para o ataque do Utrecht.
Quem comandará a seleção australiana no Mundial é Jan Versleijen. Ele também está à frente do time sub-17 e realiza no futebol australiano um trabalho que vai além da montagem das seleções: sua função é integrada a um projeto completo da federação local para o futebol. Tanto que Versleijen – holandês como Guus Hiddink, técnico que fez história como treinador da seleção principal australiana – tem trânsito freqüente no AIS, de onde extrai parte dos jogadores que leva às seleções.
A filosofia de trabalho é o que sustenta Versleijen no cargo mesmo com o seu desempenho nos mundiais não sendo dos mais brilhantes: colecionou três derrotas em três jogos com o time sub-20 em 2009 e, no Mundial Sub-17 recém terminado, obteve apenas um triunfo em quatro partidas.
Mais integração: Versleijen é também o treinador do time olímpico da Austrália, que disputará a partir de setembro uma vaga nos jogos de Londres. Parte dos selecionados para o Mundial Sub-20 estará no grupo. A seleção australiana formará uma chave com Iraque, Emirados Árabes e Uzbequistão; o primeiro do grupo garante vaga.
Focando do futebol propriamente dito, podemos dizer que a seleção australiana tem na velocidade uma de suas principais virtudes. A formação tática é o clássico 4-4-2. Bolas alçadas à área não estão entre as opções mais freqüentes de jogo. O meio-campo qualificado, que tem em Mustafá Amini e Mathew Leckie os cérebros, municia bem o ataque composto por Thomas Oar e pelo polêmico Kerem Bulut.
No gol, Versleijen ainda não decidiu quem será o titular absoluto – Mark Birighitti é o favorito, mas Matthew Acton tem desempenhado boas atuações, colocando certa dúvida na cabeça do holandês, ainda mais após uma falha feia de Birighitti na decisão do Asiático. O zagueiro Dylan McGowan é outro ponto de referência e um dos principais responsáveis pela sólida consistência defensiva do grupo.
CURTAS
Chuteira Caliente
Se estivéssemos nos anos 1990, seria inevitável comparar Kerem Bulut com o brasileiro Edmundo. O atacante é tão célebre por seus gols quanto pelas polêmicas que causa. No ano passado, chegou a ser preso, acusado de fazer parte de uma gangue que aprontava das boas nas ruas de Sidney. Coleciona tatuagens pelo corpo, com direito a duas no rosto. Confusões à parte, tem faro de gol – é um centroavante clássico e oportunista. Foram dele os dois gols da Austrália na decisão do Asiático Sub-19. Joga no time principal do Mlada Boleslav, da República Tcheca.
Pelota Cuadrada
Quando tinha 10 anos de idade, Terry Antonis foi o vencedor de uma espécie de reality show da TV australiana cujo prêmio era ir a Madrid treinar futebol com David Beckham – isso ocorreu há sete anos, quando o inglês jogava pelo Real. A situação deu projeção a Antonis e assegurou a ele um ligeiro status de estrela entre as promessas do futebol australiano. Embora Antonis tenha uma carreira de certo modo sólida, ainda não justificou a expectativa nele depositada: é reserva no time de Jan Versleijen e joga no Sydney FC, da liga local, diferentemente dos seus colegas de seleção mais bem-sucedidos.
El Libertador
Mustafa Amini tem sido chamado de “o Valderrama australiano”. Por dois motivos: seu futebol refinado no meio-campo, caracterizado pelos bons passes, e pela vasta cabeleira que ostenta. Amini tem um DNA que mistura Austrália, Afeganistão e Nicarágua, daí seu biotipo, digamos, diferente. Ele foi um dos pilares do time que chegou à decisão asiática e anotou dois belíssimos gols no torneio, contra Irã e Emirados Árabes. No país do Valderrama original, quem sabe registremos o brilho de um dos seus sósias.
ELENCO
Goleiros
Matthew Acton (Brisbane Roar) – 03/06/1992
Mark Birighitti (Adelaide United) – 17/04/1991
Lawrence Thomas (sem clube) – 11/05/1992
Defensores
Dylan McGowan (Gold Coast United) – 06/08/1991
Brendan Hamill (Melbourne Heart) – 18/09/1992
Marc Warren (Sheffield United-ING) – 11/02/1992
Sam Gallagher (Central Coast Mariners) – 05/05/1991
Petar Franjic (Melbourne Victory) - 07/04/1992
Trent Sainsbury (Central Coast Mariners) – 05/01/1992
Meio-campistas
Mustafa (Central Coast Mariners) – 20/04/1993
Terry Antonis (Sydney FC) – 26/11/1993
Mathew Leckie (Borussia Monchengladbach-ALE) – 04/02/1991
Ben Kantarovski (Newcastle Jets) – 20/01/1992
Kofi Danning (Brisbane Roar) – 02/03/1991
Rhyan Grant (Sydney FC) – 26/02/1991
Dimitrios Petratos (Sydney FC) – 10/11/1992
Jake Barker-Daish (Gold Coast United) – 07/05/1993
Atacantes
Kerem Bulut (Mlada Boleslav-TCH) – 02/03/1992
Thomas Oar (Utrecht-HOL) – 10/12/1991
Matthew Fletcher (sem clube) – 01/06/1992
Bernie Ibini-Isei (Central Coast Mariners) – 12/09/1992
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