Leandro Stein e Gabriel Seixas - 15/08/2011
Atualizado às 03h05 de 15/08/2011
Desde a eliminação para o Paraguai na Copa América, o tema “cobranças de pênaltis” passou a ser visto com temor pelo Brasil. Praticamente um mês após o fatídico vexame da equipe comandada por Mano Menezes, a garotada sub-20 da seleção canarinho tratou de reescrever essa história - curiosamente, sob os olhares de Mano. Pode-se dizer que Brasil e Espanha fizeram um jogo à altura das expectativas que o duelo proporcionava. Em 120 minutos de muita emoção, os brasileiros saíram duas vezes na frente do placar (uma no tempo normal e outra na prorrogação), mas a Fúria correu atrás do prejuízo e buscou o empate em ambas oportunidades. Na marca da cal, brilhou a estrela do goleiro Gabriel para que a classificação do Brasil fosse sacramentada.
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Na cidade de Pereira, na Colômbia, Brasil e Espanha reviviam um confronto traumático para os brasileiros no Mundial Sub-20 de 2007. Naquela ocasião, em jogo válido pelas oitavas-de-final, a partida terminou empatada em 2 a 2 no tempo normal. Na prorrogação, a Fúria foi melhor e saiu vitoriosa por 4 a 2, mandando a seleção brasileira de volta pra casa. Para evitar o triste fim de quatro anos atrás, Ney Franco decidiu retomar o 4-2-3-1 utilizado na primeira fase, com Danilo na lateral e Willian José no ataque. Galhardo, que havia sido titular contra a Arábia Saudita na vaga de Willian, deu lugar ao atacante são-paulino.
Do outro lado, o técnico espanhol Julen Lopetegui já havia mandado o recado: seu time não costuma se adaptar aos rivais, portanto, manteria o mesmo estilo de jogo. E a promessa foi cumprida. Na metade inicial do primeiro tempo, a Espanha chegou a ter posse de bola superior a 70% e chegou com muito perigo em pelo menos quatro oportunidades, com Tello, Isco, Rodrigo e Oriol Romeu. Acuado e errando muitos passes, o Brasil “achou” o gol no contra-ataque. Philippe Coutinho arrancou da intermediária e serviu Henrique na ponta esquerda. Da entrada da área, o atacante acertou o travessão, mas no rebote, a bola sobrou limpa para Willian José apenas escorar para o gol.
Após o gol, curiosamente, o Brasil cresceu no jogo. Na melhor oportunidade antes do intervalo, Henrique recebeu bom passe de Danilo e tocou na saída de Fernando Pacheco, que fez a defesa. Na volta para o segundo tempo, com Sergi Roberto no lugar de Tello, a Espanha se reencontrou no jogo e empatou aos oito minutos. Mallo recebeu na ponta direita e cruzou para Rodrigo, que se antecipou a Bruno Uvini e testou pras redes. E a virada só não veio porque Gabriel salvou uma finalização perigosa de Koke com a perna direita.
Percebendo a apatia do time, Ney Franco colocou Negueba e Dudu nas vagas de Willian José e Philippe Coutinho. O Brasil melhorou, mas o empate persistiu até os 90 minutos. Na etapa final, Oscar desviou uma bola para a linha de fundo em jogada de Isco e sentiu o cansaço, dando lugar ao volante Allan. Dois minutos depois, Dudu tocou curto para Henrique, entrou na área e recebeu de volta, colocando a bola no cantinho esquerdo de Pacheco: 2 a 1. E quem disse que deu pra comemorar? Dois minutos depois, Isco achou Planas na ponta esquerda, que cruzou para Alvaro Vazquez desviar a bola e deixar tudo igual.
No segundo tempo da prorrogação, o Brasil foi ligeiramente melhor, porém prevaleceu o equilíbrio e a partida foi para os pênaltis. Foi quando brilhou a estrela de Gabriel, que defendeu logo a primeira cobrança dos espanhois, através de Jordi Amat. Com 100% de aproveitamento nas três primeiras cobranças (Casemiro, Danilo e Henrique), os brasileiros ficaram ainda mais próximos da classificação quando Vazquez parou na muralha chamada Gabriel. Bastou que Dudu convertesse o quarto e último pênalti do Brasil, garantindo o triunfo por 4 a 2.
No outro jogo do dia, França e Nigéria também não decidiram a vaga no tempo normal. Aos 5 minutos do segundo tempo, Lacazette colocou os Bleuets na frente, porém aos 47, quando o jogo parecia definido, Ejike aproveitou falha coletiva da zaga francesa e cabeceou por cima do bom goleiro Ligali. Na prorrogação, Fofana recolocou a França na frente com um golaço, por cobertura, e dois minutos depois, Lacazette aumentou a vantagem. Ejike, meio sem querer, ainda diminuiu para os nigerianos, porém os franceses ficaram com a vaga e agora enfrentam Portugal em uma das semifinais. O Brasil terá pela frente o México, na quarta-feira.
Ficha técnica
Brasil 2 (4)x(2) 2 Espanha
Gols: Willian José aos 35min do 1º tempo; Rodrigo aos 11 do 2º tempo; Dudu aos 9min e Vazquez aos 11min do 1º tempo da prorrogação.
Brasil
Gabriel; Danilo, Bruno Uvini, Juan e Gabriel Silva; Fernando, Casemiro, Oscar (Allan) e Philippe Coutinho (Dudu); Henrique e Willian José (Negueba).
Técnico: Ney Franco
Espanha
Pacheco, Mallo, Batra, Planas e Amat; Romeu, Koke; Canales (Pacheco), Isco, Tello (Roberto); Rodrigo (Vázquez).
Árbitro: Walter Lopez (Guatemala)
Local: Estádio Hernán Ramírez Villegas, em Pereira (Colômbia)
Cartões amarelos: Willian José e Henrique (Brasil), Isco e Vazquez (Espanha)
Notas do Brasil:
Gabriel - 8
Danilo - 6,5
Bruno Uvini - 6,5
Juan - 6
Gabriel Silva - 5
Fernando - 6
Casemiro - 6
Oscar - 7
Philippe Coutinho - 6,5
Henrique - 7,5
Willian José - 7
Dudu - 7,5
Negueba - 6,5
Allan - sem nota
PRIMEIRO DIA: ARGENTINA E COLÔMBIA, FAVORITAS, SÃO ELIMINADAS
O primeiro dia das quartas de final do Mundial Sub-20 foi de surpresas. Portugal e México estavam longe do favoritismo em suas partidas contra Argentina e Colômbia. Mas, independente disso, são as duas seleções com menos “grife” que agora aguardam os dois últimos classificados às semifinais da competição. No primeiro jogo da noite, Tugas e Albicelestes não saíram do zero no placar durante 120 minutos e deixaram a decisão para os pênaltis. Já El Tri não levou em consideração o apoio da torcida nas arquibancadas à Colômbia e construiu vitória por 3 a 1 contra os anfitriões.
Abrindo a rodada das quartas de final, Argentina e Portugal contaram com noite inspirada de seus goleiros. As duas equipes tiveram chances o suficiente para balançar as redes durante o tempo regulamentar, mas Andrada e Mika acabaram se sobressaindo. Ao longo do primeiro tempo, foram os lusos quem tiveram mais chances, especialmente com a dupla formada por Nelson e Sérgio Oliveira, mas a derrota parcial foi evitada pelo camisa 1 portenho.
Após o intervalo, a Albiceleste voltou melhor, ainda mais após a entrada de Juan Iturbe, aos 15 da segunda etapa. O atacante, porém, foi insistentemente parado por Mika, assim como Andrada continuava barrando as tentativas dos Oliveira. Com os dois times cansados, o ritmo de jogo diminuiu bastante na prorrogação e a disputa entre as duas metas invictas seguiu para os pênaltis.
Mais uma vez foi Andrada quem brilhou primeiro nas penalidades máximas, segurando duas cobranças e deixando o placar favorável de 3 a 1 aos argentinos. Depois disso, no entanto, os portugueses não erraram mais e Mika cresceu de produção. O arqueiro Tuga pegou dois pênaltis e outro bateu no travessão. Com vitória por 5 a 4, os portugueses se garantiram como os primeiros semifinalistas do torneio.
Na sequência da noite, empurrada pela torcida, a Colômbia iniciou a segunda partida das quartas de final dominando o México durante boa parte do primeiro tempo. Foram diversos chutes ao gol nos primeiros minutos de bola rolando, a maioria deles para fora. Em uma das tentativas mais perigosas, o arremate de Duvan Zapata acabou defendido pelo goleiro Jose Rodriguez.
Toda essa pressão colombiana, entretanto, não adiantou em nada. Aos 38 minutos, Diego Reyes foi derrubado dentro da área: pênalti para o México. E, na cobrança, Erick Torres fez a primeira finalização do El Tri na partida e inaugurou o placar. O gol assustou os Cafeteros, que passaram a dar mais espaço ao México entre o final do primeiro tempo e o início do segundo. De qualquer forma, os anfitriões ainda chegariam a empatar, aos 15 da segunda etapa. Zapata deu um chute despretensioso, de longe, sem muita força. O goleiro Rodriguez não achou nada e, após passar por entre suas pernas e debaixo de suas mãos, a bola morreu nas redes.
O troco mexicano viria apenas nove minutos depois. Em cobrança de escanteio de Ulises Dávila no segundo pau, Edson Rivera subiu mais que os adversários e cabeceou para as redes. Novamente em desvantagem, os colombianos saíram para o jogo, mas continuaram errando o alvo. E a exposição na defesa acabou rendendo o terceiro gol do México. Rivera avançou em contra-ataque e seu chute de fora da área foi muito bem aceito pelo goleiro Cristian Bonilla, que espanou contra a própria meta.
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