Leandro Stein - 08/09/2011
O rebaixamento vivido pelo River Plate é, claramente, um dos maiores divisores de águas da história do clube. Por mais que os cartolas da AFA pensem em uma nova fórmula de virada de mesa, serão ao menos mais três meses de calvário até que o retorno se concretize. Tempo hábil o suficiente para que os cartolas do país tenham alguma ideia mirabolante caso os resultados não venham em campo. Mas também tempo o suficiente para que os Millonarios renovem as apostas de suas categorias de base.
O descenso significou praticamente um ponto final na trajetória da nova geração que se firmava entre os profissionais. O principal nome a dar adeus foi Érik Lamela. As boas atuações desde que havia se tornado titular não foram capazes de salvar o clube. Sem resolver os jogos contra o Belgrano, ele se mudou para Roma. O negócio, por fim, se mostrou proveitoso o suficiente para os Millonarios. Foram 15 milhões de euros pagos pelo futebol do garoto que foi um dos destaques enquanto se manteve como titular, mas nada o suficiente para dar grandes alegrias ao time. Sua saída, além de encher os cofres do clube para novos investimentos, abre espaço para promessas.
O mesmo pode-se dizer em relação às negociações de Roberto Pereyra e Manuel Lanzini, dois contemporâneos de Lamela, como a de Diego Buonanotte, anos mais velho. Pereyra, assim como Lamela, se firmou entre os titulares, mas demonstrou ter capacidades limitadas. Lanzini nem titular virou. No entanto, o /93 está apenas emprestado ao Fluminense e, como mais jovem da turma, ainda têm chances para voltar a Núñez mais amadurecido. Já Buonanotte, com vários altos e baixos, passou tanto tempo sem estourar que os 4,5 milhões de euros pagos pelo Málaga foram muito bem-vindos.
Agora, quem ganha a sua vez é a geração /94, recém-saída do Mundial Sub-17. Apesar de todos quererem que a passagem pela Primera B não dure mais que um semestre, a oportunidade não deixa de ser boa para o lançamento de alguns pratas da casa. As próprias experiências de clubes brasileiros são exemplos, com as afirmações de Vágner Love no Palmeiras, Anderson no Grêmio ou Philippe Coutinho no Vasco durante a Série B. E o técnico Matías Almeyda parece aberto a essa possibilidade.
A prova maior é o espaço que Lucas Ocampos, 17 anos recém-completados, vem ocupando no time. Almeyda não se pestanejou na hora de colocar o garoto para jogar. E o camisa 11 tem correspondido muito bem até aqui. Nas quatro primeiras partidas da Segundona, foi titular em todas elas. Em seu segundo jogo, fez o seu primeiro gol no time principal – o segundo mais jovem da história a marcar com a camisa roja. No terceiro, balançou as redes mais uma vez e serviu assistência para outro tento. Já é a esperança de alegrias renovada pela torcida.
O próprio Almeyda vem rasgando os elogios para a sua aposta. Logo após a eliminação argentina no Mundial Sub-17, o treinador chamou Ocampos para a pré-temporada e não se arrependeu. Originalmente atacante, o garoto foi deslocado para a meia esquerda e não saiu mais. Segundo o comandante, um “touro” na posição. Afirmação feita com conhecimento de causa. Na temporada passada, quando ainda calçava chuteiras, Almeyda treinou contra Ocampos. “Era imparável”. Guardou o nome do prodígio e foi só assumir a prancheta que o convidou para integrar os profissionais.
Agora o River Plate corre atrás dos direitos da revelação. Comprado junto ao Quilmes após o Sul-Americano Sub-15 de 2009, o meia possui parte do passe vinculado a um grupo de empresários, mas com opção de compra dos Millonarios – 350 mil dólares por 50%. Quantia pequena pelo demonstrado pelo jogador nessas primeiras rodadas de Primeira B.
O rendimento na meia esquerda é surpreendente. Apesar do porte físico (1,87 metro, 80 quilos), Ocampos é veloz e demonstra técnica o suficiente para jogar pelo setor, ajudando bastante na armação de jogadas. Além disso, não perdeu a capacidade para definir – ambos os gols que marcou foram de cabeça. E o fato de ser destro, que atrapalha nas jogadas de linha de fundo, vira virtude quando resolve usar toda a sua potência em arrancadas rumo ao gol.
Ao lado de Ocampos, outro que ganha chances com Almeyda é Luciano Abecasis. O jogador de 21 anos conquistou uma vaga na lateral direita e também não decepciona. No gol, com a ida de Carrizo para a Lazio, Leandro Chichizola, também de 21 anos, assume a camisa 1. A passagem pela segunda divisão é até mesmo uma chance de reabilitação para nomes como Mauro Díaz, Facundo Affranchino, Daniel Villalba e Rogelio Funes Mori, badalados na base e com rendimento abaixo das expectativas nos últimos meses. E é bom eles não dormirem no ponto. Se derem passagem, a geração /94 está disposta a aparecer. Depois de Ocampos, Lucas Pugh e Federico Andrada já começam a pleitear por suas chances.
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