Dassler Marques - 04/01/2012
É desnecessário se lembrar dos obstáculos que a vida colocou diante de Narciso. Mas a saída do Santos, logo após eliminação na última Copa São Paulo, soou estranha. Em conversa com o colunista, o treinador apontou divergências de trabalho e questões políticas como as razões para que se encerrasse uma trajetória de quatro anos e que incluiu a participação na formação de jogadores do quilate de Neymar, Ganso, André e Wesley.
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Na Vila Belmiro, Narciso foi contrário à nova política em relação aos direitos federativos adotada pela gestão Luis Alvaro na base santista. Se tinham participações menores em muitos jogadores, por outro lado as equipes do Santos eram fortes ao longo dos últimos anos da presidência com Marcelo Teixeira. A direção alvinegra fez sua escolha, o que desagradou Narciso pela queda técnica inicial e a falta de perspectivas.
É claro que ele, a exemplo de outros nomes como, por exemplo o goleiro Fábio Costa, também pagou seu preço por ter ligação quase umbilical com Marcelo Teixeira. Os problemas de saúde de Narciso foram sempre bem amparados pela antiga direção. Os atritos entre treinador e a diretoria começa por questões esportivas e se agravam pelas diferenças de idéias. O rompimento foi quase natural após a pior Copa São Paulo do Santos em muito tempo, na edição 2011.
Narciso, ao que parece, cai como luva para as pretensões do Corinthians. Há vontade política de, em caso de reeleição, aprimorar o horroroso trabalho da base nos últimos quatro anos com Andrés Sanchez. Uma característica nata é o bom aprimoramento de atletas: nos juniores corintianos, por exemplo, o sistema tático padrão é o 4-2-3-1. Exatamente como Tite gosta.
É difícil apontar favoritismo para o Corinthians, sobretudo em função da força do atual Flamengo. Mas a equipe de Narciso tem virtudes: Marquinhos é um zagueiro muito acima da média, Denner tem experiência na Copinha e qualidade técnica. A dupla Anderson Rosa-Fernando se completa como Paulinho-Ralf e Matheus, badalado, precisa mostrar qualidades. Paulinho, que fecha o 4-2-3-1 pela esquerda, tem raro talento para o drible. Douglas é um centroavante que garante muitos gols.
A projeção para o futuro do Corinthians é de ampliar o investimento nas categorias de base, sobretudo em uma política agressiva na captação de jogadores. Fabrício, /95 do Palmeiras, foi um dos primeiros nomes. Tarik, do Internacional, também é muito especulado. Um nome de peso seria o de Matheus Índio, insatisfeito com o tratamento recebido no Vasco. Ter um treinador com o perfil de Narciso tem tudo a ver com a estratégia.
Fotos: Edson Lopes Jr / Terra
Firulas
#1
Fica o convite para reportagem no Terra sobre Narciso. Aliás, muitas matérias sobre a Copinha têm sido veiculadas por lá. Fiquem de olho.
#2
Na opinião do colunista, o Flamengo é o principal candidato ao título, em que pese o empate na estreia. O Corinthians fica no segundo pelotão com Fluminense, Palmeiras, São Paulo e Santos.
#3
Um candidato a surpresa? Atlético-PR. As gerações /94 e /95 são muito promissoras. Resta saber até onde poderão chegar em um torneio duro e eliminatório contra adversários quase sempre mais velhos.
#4
No quesito artilheiro, a maior barbada é Ademílson, do São Paulo.
#5
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