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Vale o recorde?

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Leandro Stein - 06/01/2012

O goleiro João Lucas, do Botafogo de Ribeirão Preto, chegou a uma marca significativa na Copa São Paulo de 2012. O garoto disputa a sua quarta participação no torneio, recorde desde que o torneio reduziu o limite de idade para 18 anos. Além disso, com o atual regulamento, que também impõe uma idade mínima para inscrição, a marca já pode ser considerada insuperável – no máximo, igualável.

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João Lucas foi terceiro goleiro na Copinha de 2009 e, desde então, ganhou a posição no gol tricolor. Nas duas edições seguintes, sequer passou da primeira fase com seu clube e manteve a nada agradável média de dois gols sofridos por partida. Profissionalizado em 2011, o arqueiro veio para sua última participação com os juniores do Botafogo neste ano, mas não foi feliz na estreia: o time de Ribeirão Preto foi goleado pelo Monte Azul e João Lucas teve que buscar a bola cinco vezes dentro de suas próprias redes.

Números à parte, a impressão que o recorde passa é a de estagnação. Afinal, de um garoto que queimou etapas e que aos 16 anos já vestia a camisa 1 na Copinha, João Lucas não foi muito além disso. Apesar da integração ao time principal, não se firmou suficientemente para se desvencilhar da Copa São Paulo. Um raciocínio, porém, que só contém meia verdade.

O goleiro poderia dar um passo adiante em sua carreira, o que não aconteceu. Algo normal para quem está em fase de formação. Há, é claro, casos como o do atacante Sebá, que, no sobe e desce entre profissionais e juniores do Cruzeiro, não confirmou os predicados na base. Por outro lado, também são numerosos os exemplos para comprovar que a participação em mais de uma Copinha está longe de ser prejudicial à carreira. O maior deles é o de Wellington Nem, revelação do Campeonato Brasileiro pelo Figueirense.

Quando despontou com a camisa do Fluminense, o meia-atacante parecia que estouraria em questão de meses. Em 2009, quando esteve pela primeira vez na competição paulista, ganhava fama também na seleção brasileira e era uma das principais esperanças para o Mundial Sub-17. Seguiu no time de base tricolor no ano seguinte e, em 2011, esteve em sua terceira edição de Copa SP. Claramente mais amadurecido para o futebol, Wellington teve boas atuações no torneio, que, de certa forma, ajudaram a cavar seu empréstimo ao Figueira, clube com visibilidade para projetá-lo nacionalmente.

Outro jogador que esteve três vezes na Copinha e não viu sua subida aos profissionais atrapalhada foi o meia Nikão. A ascensão com 15 anos no Mirassol o impulsionou antes de vestir a camisa de Palmeiras e Santos na competição. Em 2010, foi contratado pelo Atlético Mineiro e, emprestado ao Vitória, foi uma das principais revelações do Campeonato Baiano de 2011. Se ainda demora a se firmar entre os profissionais, é mais pela má gestão de sua carreira do que pela qualidade propriamente dita – a transferência insana para o Bahia e as poucas chances nos últimos meses mostram isso.

Um último caso é o de Clériston, que, assim como João Lucas, é goleiro e atuava por um time do interior, o Sertãozinho. Após três edições com atuações notável, ganhou a chance de provar seus predicados nos juniores do Fluminense, onde permaneceu emprestado até o final de 2011. Nas Laranjeiras, teve até mesmo a oportunidade de integrar o elenco profissional por algumas semanas.

É importante ressaltar que a “experiência” na Copa São Paulo não vai determinar se um prodígio decepcionará mais que os outros. Da mesma forma que o estouro de um jogador na Copinha não impede que ele se torne foguete molhado pouco tempo depois. Mais fundamental que as impressões é o processo de amadurecimento do jogador. Se o trabalho em seu entorno for bem feito e o “timing” de sua ascensão for respeitado, não há como o talento não prevalecer.



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