Leonardo Sacco - 07/01/2012
Juntos, os pais deles fizeram o Brasil inteiro voltar a gritar por um título mundial depois de 24 anos. Separados e atuando em grandes rivais, Matheus e Romarinho, filhos de Bebeto e Romário, respectivamente, começam a ter na Copa São Paulo de 2012 a chance de mostrar para todos que são muito mais do que apenas filhos de ex-craques. Com características próprias e o eterno peso da comparação, começam a se soltar e mostrar que podem no futuro trazer para o futebol brasileiro alegrias que suas famílias já se acostumaram a viver.
Formado nas categorias de base do Vasco, assim como seu pai, Romarinho não foge às semelhanças físicas com seu progenitor. Baixinho e veloz, é o nome vascaíno para a Copinha. Começou com o pé direito – seu melhor – afiado e fez, de cabeça, um gol na fraca estreia dos cruzmaltinos. A jogada que originou seu tento, na qual cavou um escanteio em meio a dois marcadores e finalizou bem de cabeça após o cruzamento, gerou frisson nacional. Comparações começaram a pipocar e até elogios de Ronaldo Fenômeno, outro parceiro fiel de seu pai, foram recebidos após a atuação apenas regular. Mas não é isso que o garoto busca.
No Vasco desde 2007, quando começou a dar seus primeiros passos como jogador, Romarinho é, para a mídia, espelho de Romário. O peso de ser comparado a um dos maiores artilheiros da História do futebol, porém, não é tão bem recebido pelo garoto. Não foram poucas as vezes em que o atacante se destacou mais por conceder entrevistas desde a infância do que com a bola nos pés. Mas os cruzmaltinos souberam isolar o garoto. Com a ajuda de Romário, atuando mais como pai do que como ex-jogador, Romarinho teve tempo para crescer em certo anonimato nos últimos dois anos.
Com tempo para se desenvolver e sem a necessidade de fugir às suas caracaterísticas para parecer com o pai, Romarinho tornou-se um ágil segundo atacante. Cai pelos lados do campo e ainda tem facilidade para finalizar quando tem suas oportunidades – o DNA, aí, é mais do que bem-vindo. Na Copa São Paulo deste ano tem seu primeiro grande desafio na carreira, liderando sua geração /93 no torneio. Fora dos gramados, começou também a fugir das comparações. Assim como seu pai, tem fama de mulherengo – quer, porém, ser conhecido por ser matador apenas dentro das quatro linhas.
Um pouco mais tranquila é a situação de Matheus. Fruto da boa geração /94 do Flamengo, começa a fugir das comparações com o pai logo em seu posicionamento dentro de campo. Se Bebeto era um segundo atacante veloz e cerebral, passou as características para o filho, que no entanto prefere atuar mais recuado, como um meia-armador. Famoso desde que foi embalado pelo pai na comemoração do gol contra a Holanda na Copa de 1994, o flamenguista é presença constante nas seleções de base e inclusive já treinou entre os profissionais rubro-negros.
Um ano abaixo da idade limite para o torneio, porém, Matheus não é titular do Flamengo e por isso vê as cobranças serem proporcionalmente menores. Na busca pelo bicampeonato, as apostas rubro-negras ficam mais focadas em Adryan, Thomás, Muralha e Yguinho. No frustrante empate de estreia contra o Aquidauanense, o meio-campista ficou no banco de reservas e não foi utilizado pelo técnico Paulo Sérgio. Sem tanta pressão, o meio-campista segue desenvolvendo seu futebol aos poucos e já é apontado como um dos grandes talentos da geração /94 brasileira.
E se as comparações com seus pais são inevitáveis, vão ao menos desaparecendo aos poucos. A persistência nelas, porém, segue quando o assunto é o desenvolvimento completo dos dois jovens. Se quando jogadores Bebeto e Romário fizeram uma dupla afiada, a expectativa é a mesma para seus filhos. A expectativa sobre o líder da dupla, porém, é diferente. Apesar das boas atuações, Romarinho nunca se destacou ao ponto de parecer ser um jogador bastante diferenciado – é bom atacante, mas nada de excepcional. Já Matheus é tido como um jogador mais completo, de raridade maior.
Com as facilidades e dificuldades geradas pelos pais craques, Matheus e Romarinho seguem com calma suas carreiras. Se as comparações se mantiverem em um nível natural, como é esperado, e não atrapalhe o desenvolvimento dos dois, o Brasil só tem a ganhar. E no sonho dos brasileiros, fica a expectativa de que o DNA campeão em 94 volte a funcionar para que os filhos do tetra se tornem donos do mundo.
Crédito das fotos
Capa: ClickRBS
Romarinho: PequenosVascainos.com
Matheus: divulgação
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