Gabriel Seixas - 11/01/2012
Desde a redução da idade limite da Copa São Paulo, estabelecida em 2007, as análises sobre os times que disputam a competição passaram a exigir ainda mais cautela. E quando se trata de uma equipe que leva um grupo predominantemente formado por jogadores abaixo da categoria sub-18, o cuidado deve ser ainda maior. É o caso do São Paulo, que assim como Flamengo, Atlético-MG e Vasco, sequer conseguiu superar a primeira fase da Copinha. Pela estrutura invejável de Cotia e a tradição do clube em formar jogadores, obviamente chovem críticas de todos os lados. Entretanto, independente dos resultados do tricolor no torneio, esperar resultados imediatos dessa geração parece incoerente.
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Esperava-se muito dos /94 que foram campeões mundiais sub-15 em 2009, e ainda que Ademilson tenha sido o artilheiro do time e Lucas Farias o melhor jogador do tricolor frente ao Barueri, nenhum deles conseguiu assumir um papel realmente decisivo. Muito menos Mirrai e Allan, outros expoentes daquela safra. Por mais que o primeiro estivesse voltando de lesão após praticamente um ano parado, esperava-se que seu retorno ao time desse uma dinâmica diferente ao meio-campo, o que não aconteceu. Allan também teve participação discreta, fazendo com que sua promoção ao time principal, confirmada por Emerson Leão, soe prematura.
Fora Ademilson, são jogadores que ainda não parecem terem completado seus ciclos na base – nem mesmo Allan. Individualmente são jogadores muito interessantes, que devem amadurecer com este fracasso e o do Paulista Sub-17. Lucas Farias, por exemplo, deixou ótima impressão. Foi bem na lateral-direita, e quando deslocado para a esquerda, contra o Barueri, rendeu ainda mais, inclusive marcando um golaço. Não obstante, Lucas também costuma atuar no meio-campo. A versatilidade, e principalmente a regularidade em todas essas funções podem acelerar sua profissionalização, mas nada de imediato.
O discurso de cautela também deve valer para os /93, que por mais que já estejam em sua última temporada na base, não parecem aptos à profissionalização. Nem mesmo João Felipe, meia talentoso que apareceu muito bem na primeira rodada da Copinha, mas quando passou a ser mais visado e marcado individualmente, não conseguiu repetir a boa atuação de outrora. Bruno Catanhede, apesar de ter marcado alguns gols e mostrado muita movimentação, dificilmente deve vingar no time de cima. O mesmo vale para o goleiro Felipe Passoni, que provavelmente terá o mesmo destino de Richard.
Se quisesse montar um time para ganhar a competição, o São Paulo provavelmente teria recorrido a jogadores como Henrique Miranda e Rodrigo Caio, por exemplo. A missão do tricolor é formar talentos, e provavelmente esses mesmos jogadores (fora os /93, claro) devem atingir seu ápice em 2013 na mesma competição. Vale destacar que a mudança de comando as vésperas do início da Copinha também afetou negativamente, mesmo porque Zé Sérgio, sucessor de Sérgio Baresi, cometeu alguns erros na montagem do time. Paciência é fundamental para não queimar uma das gerações mais vitoriosas da base do clube nos últimos anos.
Crédito das fotos: Rubens Chiri / saopaulofc.net
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