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Copa São Paulo 2012

Copa SP: balanço da primeira fase

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Equipe Olheiros.net - 12/01/2012

Depois de nove dias e 144 partidas, a primeira fase da Copa São Paulo chegou ao seu final. Apenas 32 dos 96 clubes participantes sobreviveram a ela e seguem na disputa pelo título, enquanto os outros 64 ficaram pelo caminho e nesse momento já fazem reflexões sobre os motivos da eliminação precoce enquanto voltam para as suas casas. Todos, no entanto, tiveram suas chances de mostrar serviço e alguns garotos desses times eliminados certamente vão aparecer no futebol brasileiro em um futuro próprio.

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Entre os classificados estão surpresas, como o Taubaté e o Monte Azul, e entre os eliminados, decepções, como São Paulo e Flamengo. Os dois últimos campeões da Copinha rodaram logo na primeira fase, bem como o Atlético Mineiro, que tem feito isso com frequência nos últimos anos, e o Vasco, que perdeu a sua classificação no último minuto. Fluminense, Internacional e Grêmio passaram apenas no índice técnico entre os oito melhores segundo colocados.

O ótimo desempenho da dupla Atletiba também deve ser destacado, sobretudo o Coxa, que teve 100% de aproveitamento e tem encantado com goleadas. O Bahia, que também venceu os três jogos da primeira fase, enfrenta agora o Fluminense, num jogo que poderia valer por uma fase mais avançada da competição. Isso e muito mais você, leitor, confere nas linhas abaixo, no nosso já tradicional Review da primeira fase da competição. (Pedro Venancio)

Camisas que não pesaram

Nada mais notável nesta primeira fase da Copa São Paulo do que a queda dos grandes. Afinal, não foram poucos os vexames – parecia mesmo haver uma competição interna para ver quem faria o maior papelão. Contudo, as decepções protagonizadas por São Paulo, Atlético-MG e Vasco parecem pequenas perto do que o Flamengo (não) fez em sua campanha.

Atuais detentores do título da Copinha, os rubro-negros chegaram com discurso de prioridade total ao bicampeonato. Com boa parte do elenco campeão mantido, o técnico Paulo Henrique ainda contou com os reforços de Muralha e Thomás, badalados já entre os profissionais. O fato é que o deslumbramento dos garotos com os feitos anteriores não permitiu que eles se concentrassem na competição. Foram três partidas e três empates, nos quais o Fla parecia pouco objetivo em campo. Muito longe da vontade demonstrada em 2011, em especial Adryan e Lorran.

Um pouco menos humilhante foi a eliminação do São Paulo. A vitória por 10 a 0 sobre o Palmas na rodada de abertura (a maior desta primeira fase) dava a impressão de que o Tricolor viria babando pelo título. Errado. A fome de gols esmoreceu na partida seguinte, o empate zerado contra o Sergipe. E o time desorganizado não se encontrou na derrota para o bem armado Barueri. João Felipe, Ademílson e Lucas Farias tiveram algumas boas apresentações, mas pecaram na hora de demonstrar a regularidade necessária para a classificação.

Apesar das duas vitórias alcançadas nas primeiras rodadas, o Vasco não conseguiu o saldo de gols necessário para se classificar na segunda colocação da chave. Pesaram as atuações pouco convincentes contra Americano e Remo – na primeira, o gol de Romarinho ainda ajudou a esconder a situação. Já na terceira rodada, os cruz-maltinos não suportaram a pressão do Taubaté. Nem mesmo a boa forma do zagueiro Luan e do meia Jhon Cley evitaram a derrota.

Por fim, o Atlético Mineiro deu continuidade a sua sina nos últimos anos da Copa SP. Assim como em 2008, 2009 e 2010, o atual campeão da Taça BH não foi além da primeira fase. É bom pesar o nível elevado da chave dos alvinegros, ao lado de Desportivo Brasil e Criciúma – o que não minimiza a quebra de expectativa sobre o elenco. E, com a bruxa solta, é bom que outros grandes abram os olhos para as próximas fases. Longe de apresentar um futebol vistoso, o Botafogo pode ser uma das próximas vítimas, bem como o Internacional, superado pelo Santo André na segunda rodada. (Leandro Stein)

Duplas Atletiba e Ba-Vi fazem bonito

Chamou a atenção nessa primeira fase da Copinha o excelente desempenho de quatro equipes que fazem um ótimo trabalho na base: Atlético Paranaense e Coritiba, no Sul, e Bahia e Vitória, no Nordeste. Os quatro estão classificados para a segunda fase e são vistos como candidatos em potencial ao título, ou pelo menos a promover diversos jogadores para os profissionais após o torneio.

O Coritiba é, entre eles, o que chama mais a atenção pela campanha, com três goleadas: 5 a 1 no CSA, 4 a 1 no São Caetano e 7 a 0 no Taboão da Serra. No total foram 16 gols marcados, dez deles pela dupla José Rafael e Alex – cada um marcou cinco -, e apenas dois sofridos, o que faz com que o clube tenha a melhor campanha da primeira fase, à frente inclusive do Corinthians, que também tem saldo positivo de 14, mas balançou as redes em 14 oportunidades.

O Atlético Paranaense suou um pouco mais a camisa: venceu o Sinop por apenas 3 a 2 na estreia, e deslanchou no segundo jogo: fez 7 a 1 no Marília, com direito a show do camisa 10 Marcos Guilherme. No terceiro jogo, empate por 1 a 1 com o Linense com gol de Hernane, que disputou o Mundial Sub-17 pela seleção brasileira. Outros destaques individuais do Furacão são o atacante Taiberson e o meia Rossetto, que já disputou a Copinha em 2011.

Entre os nordestinos, o Bahia roubou a cena: goleou o Caxias por 5 a 1 na estreia, atropelou o Guaratinguetá por 4 a 0 no segundo jogo e fez 3 a 2 no Nacional no terceiro, mostrando um time que para muitos é melhor do que a equipe vice-campeã em 2011. Entre os destaques individuais, destoa o meia Paulinho, eleito o melhor jogador da Copa 2 de julho de 2010 e que já subirá aos profissionais após a Copinha. Rápido e criativo, ele tem colocado os atacantes do time na cara do gol com frequência. Outro que faz excelente torneio é o volante canhoto Filipe.

No Vitória, as coisas foram um pouco mais difíceis: em um grupo complicadíssimo com Sertãozinho, Portuguesa e Red Bull Brasil, o Rubro-Negro baiano venceu os dois primeiros jogos e perdeu o último, se classificando apenas no índice técnico, mas mostrando talento durante todas as partidas, sobretudo com os atacantes Agdon e William, que mostraram talento nessa primeira fase. O volante /95 José Uelisson, que chegou a sair do clube no começo do ano passado, é outro que mostra talento. (PV)

Prontos para pancadas

Não foram apenas os grandes, porém, que fecham a primeira fase da Copinha de forma frustrante. Apesar de não esperarem grandes desempenhos, algumas equipes abusaram das humilhações. Ao todo, 13 times se despediram da competição sem um ponto sequer. E, nesse quesito, ninguém superou o Palmas, de incríveis 22 gols sofridos em três jogos – a campanha é a terceira pior desde que o limite de idade foi reduzido para 18 anos. 

Da mesma forma, equipes como o Lemense, que perdeu de 7 a 1 para o Inter, e o Ji-Paraná, que ainda ficou no lucro após os 5 a 0 aplicados pelo Fluminense, tiveram peso preponderante para os rumos da classificação, em efeito reverso. Não fossem as goleadas, colorados e tricolores dificilmente passariam para os mata-matas.

Logicamente, as disparidades nas estruturas das categorias de base ao redor do país têm papéis preponderantes nesses casos. Mas também pesam outros fatores, como a falta de planejamento, os problemas na montagem dos elencos e o jogo de interesses. Ainda que dê oportunidade para milhares de garotos, a Copinha acaba marcada pelo baixo nível de alguns de seus concorrentes – e dando argumentos àqueles contrários ao atual formado inchado da disputa. (LS)

Os ‘prematuros’ da Copinha

A capacidade de um jogador competir em alto nível contra atletas mais velhos é um dos elementos que ajudam a identificar um jovem diferenciado na base. Diante de inúmeras dificuldades, sobretudo no aspecto físico, nem todos conseguem se sobressair. Mesmo com todas essas barreiras, a edição deste ano da Copinha reúne um número considerável de ‘prematuros’ jogando como gente grande.

Em meio a equipes recheadas de atletas /93 (os chamados “jogadores de último ano”) e /94, também existem espaço para os /95, como Marcos Guilherme, do Atlético-PR. Eleito o melhor de sua categoria em 2011 pelo Olheiros, o habilidoso meia está em alta no Furacão, envergando a camisa 10 do time. Sua atuação mais destacada até aqui foi na goleada por 7 a 0 sobre o Marília, onde marcou gol, sofreu pênalti e ainda deu assistência.

Hugo Ragelli, do Palmeiras, também parece se sentir bem à vontade. Autor de dois gols na estreia do Verdão (5 a 0 sobre o Linhares), o centroavante de 16 anos possui bom porte físico para a idade, além de ótima noção de posicionamento na área. Em outros jogos, como na vitória por 2 a 0 sobre a Ferroviária, ficou evidente que Hugo ainda precisa aprimorar fundamentos como o arremate, mas nada que não possa ser reparado num futuro próximo. Victor Andrade, jogador mais badalado da base do Santos, ainda não correspondeu às expectativas, mas tem tudo para crescer durante o torneio. Com a lesão de Victor Hugo às vésperas da competição, o jovem assumiu a condição de titular do Peixe, mas tem sido um mero coadjuvante no time liderado por Pedro Castro, Bruno Lamas e Neílton.

Outros /95 também merecem menções honrosas, como Matheus Reis, volante titular do eliminado São Paulo. Aldo, zagueiro do Grêmio, marcou gol na estreia do tricolor e consegue se destacar em meio a um sistema defensivo muito inseguro. E o já citado José Uelisson, expoente da safra campeã da Copa Brasil Sub-15 em 2010 pelo Vitória, vem fazendo grandes exibições com a camisa rubro-negra, sobretudo pela competência na marcação e qualidade na saída de bola. Além deles, destaca-se o meia Cléverson, do União São João. (Gabriel Seixas)

Briga de cachorro (nem tão) grande

Como reflexo das eliminações surpreendentes de pelo menos quatro grandes equipes na fase inicial, a segunda fase da Copinha reunirá apenas um confronto entre equipes da primeira divisão. O Fluminense, que surpreendentemente deixou escapar a liderança de seu grupo, acabou cruzando com a forte equipe do Bahia, que deposita suas fichas em Paulinho, o “Neymar do Fazendão”, e no ótimo volante Felipe. Já o Cruzeiro, que liderou com um pé nas costas o Grupo A e conta com uma equipe bastante calejada, enfrenta o jovem time do Atlético-PR, que possui média de idade de apenas 17,1 anos.

Os outros confrontos envolvendo equipes da elite apresentam favoritos muito claros, com exceção do duelo entre Botafogo e Vitória. O Fogão, ainda que tenha vencido suas três partidas, apresentou um futebol pouco convincente e enfrenta uma equipe sempre consistente em competições de base. O Palmeiras, que certamente conta com um de seus melhores times na história recente da Copinha, encara o Monte Azul em um dos seis confrontos desta fase que envolvem apenas times paulistas. O Santos, com 12 gols marcados e nenhum sofrido, encara o Guarani, melhor segundo colocado da competição.

Atual campeão brasileiro sub-20, o América-MG tem pela frente o São Bernardo, que teve a pior campanha entre os primeiros colocados ao lado do São Carlos. O Corinthians, maior vencedor da Copinha e com uma defesa intransponível até o momento, joga seu favoritismo contra o Goiás. Já o Internacional, uma das decepções da Copinha em termos de rendimento, terá de suar para bater o surpreendente Grêmio Barueri, que venceu todas suas partidas, derrotando inclusive o São Paulo. O Grêmio, outro representante gaúcho que segue na disputa, joga contra o Juventus, que ofereceu uma certa resistência ao Corinthians na primeira fase. O Coritiba, que fechou a fase inicial com um impressionante saldo positivo de 14 gols, tem tudo para atropelar o Mirassol. O Figueirense, que não convenceu até aqui (apesar dos sete pontos somados em nove disputados), encara o Rondonópolis de Valdivia, uma das revelações do torneio. (GS)

Fotos: Flamengo (Celio Messias/VIPCOMM), Marcos Guilherme (Gustavo Oliveira/Site Oficial do CAP), Cruzeiro (Dorival Rosa/VIPCOMM), Coritiba (Site Oficial do Coritiba), Ademílson (Wagner Carmo/VIPCOMM), Palmas (Wander Roberto/VIPCOMM)



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