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Batendo na tecla

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Emílio Martins - 15/01/2012

Acompanhando as redes sociais percebemos que a Copa São Paulo realmente incomoda muita gente. O festival de clichês contra a principal competição de futebol de base do país é insuportável, e a Carta Ácida do companheiro Mozart Maragno fatalmente deve ter desconstruído as opiniões de muitos “analistas”. Aliás, esses “analistas” sempre dão um jeito de aparecer em janeiro.

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Opiniões devem ser respeitadas, claro, mas criticar o caráter democrático da Copinha é assumir uma postura que vai contra os princípios do futebol brasileiro. Nosso país tem dimensões continentais, todos sabem, e só uma competição como essa pode oportunizar com que aquele garoto humilde do interior, que sonha em ser um jogador de futebol profissional, consiga projeção nacional, visibilidade. Clichê? Não no Brasil, onde os craques, salvo raras exceções, vêm das classes baixas.

Criticar sentado em frente à tela do computador, numa sala com ar condicionado, é uma barbada. Difícil é conviver com a realidade dos clubes do interior, em que falta dinheiro, estrutura e até mesmo coisas triviais, como bolas para treino. A participação na Copa São Paulo surge como redenção para esses clubes, uma oportunidade única para todos que estão envolvidos com o processo. Pessoas que muitas vezes superam seus limites em busca de um objetivo. “Ah, mas cai o nível da competição”, alguém poderá dizer. Pois é, mas times fracos existem em todos os lugares, inclusive na badalada Liga de Futebol Americano, a qual possui regras que esses mesmos “analistas” fingem que conhecem, para assumir status de intelectuais.

O futebol nunca foi e nunca será elitizado. Funciona, muitas vezes, como política. Há os grandes centros, as grandes instituições, mas lá na frente, no final das contas, são as bases que influenciarão diretamente no resultado final. Os talentos do futebol brasileiro estão na periferia. Muitos são descobertos ainda cedo. Outros, porém, não têm essa sorte, e é aí que surge a Copinha. Quem seriam Sandro, ex-Londrina e hoje no Tottenham, ou Rômulo, ex-Porto de Caruaru e atualmente no Vasco, se não fosse “a competição que não revela mais como no passado”?

Para falar de futebol de base precisamos contextualizar, conhecer os meandros do tema a ser abordado. É evidente que nem tudo são rosas, e o Olheiros jamais vai “passar a mão na cabeça” da Copinha, que ainda precisa melhor muito nos mais diversos aspectos – tema para outra coluna, inclusive. No entanto, a tecla da democratização precisa ser batida sempre que possível. Criticá-la é criticar o futebol brasileiro como um todo.

Na teia da aranha

# 1
Lamentável ver um clube tradicional como o Palmeiras atuando com três zagueiros na Copa São Paulo. Nada contra o esquema, mas na base, onde o objetivo é relevar jogadores, o 3-5-2 e suas variações simplesmente não cabem, principalmente por não revelar laterais. Sorte do Verdão que Luiz Gustavo e Bruno Dybal são acima da média.

# 2
Parece consenso que o Corinthians de 2012 é o melhor tecnicamente desde 1999, independente do resultado que venha a ser obtido e de quais jogadores venham, no futuro, a ser aproveitados no profissional. O lateral esquerdo Denner joga muito bola, a exemplo de Matheusinho. Uma pena que Douglas não esteja correspondendo às expectativas.



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