Dassler Marques - 16/01/2012
No
caminho do Corinthians, um dos melhores times da Copa São Paulo até o momento, há um português. Se trata de Marc dos Santos, treinador do Primeira Camisa, adversário corintiano desta terça-feira. Marc já morou na África, em Portugal e também no Canadá, onde teve seu primeiro grande momento na carreira: foi campeão canadense pelo Montreal Impact, em 2010.
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Marc, 34 anos, diz que pretende fazer carreira no Brasil. O sucesso dessa empreitada pode acontecer a partir do resultado desta terça-feira. Segundo o treinador, a responsabilidade é dos corintianos, mas a chance do Primeira Camisa é muito razoável. "Podemos criar uma surpresa", conta. Até aqui, a equipe criada por Roque Júnior tem três vitórias e um empate. Nas oitavas, venceu o Taubaté, algoz do Vasco, por 2 a 0.
Olheiros - Que análise você pode fazer já sobre a campanha do Primeira Camisa?
Marc dos Santos - Desde que cheguei, tive pouco tempo para preparar o time. Mas desde o primeiro dia colocamos um modelo de jogo como base e a cada hora trabalhamos para maximizar esse modelo, para dar mais sentido à forma que queremos jogar. Os jogadores assimilaram muito bem, entenderam pouco a pouco o que queríamos, os nossos princípios. Desde então temos avançado mais e mais em cima disso.
Olheiros - O que espera do confronto com o Corinthians? Quem está em vantagem?
Marc - É claro que, quando olhamos para o jogo, logo os favoritos são eles, a pressão está em cima deles. Somos um time com ideia de jogo muito clara e acreditamos que não é impossível. Se continuarmos com o espírito que temos até agora, podemos criar uma surpresa. Respeitamos imensamente, é um adversário que todo o ano luta pelo título. Mas não vamos com medo, vamos para dar nosso melhor.
Olheiros - Especificamente, qual tem sido o estilo de jogo da equipe, o comportamento e a ideia tática?
Marc - Somos um time muito novo, nos 25 jogadores só há 10 nomes de 1993, temos uma base forte para trabalhar no futuro. Quando cheguei e fizemos a análise do elenco, escolhemos uma forma claríssima de jogar. O mais importante não é o sistema, mas os princípios na organização defensiva, ofensiva e as transições são muito importantes. Fui muito humilde e realista para entender que já havia uma realidade no futebol brasileiro e tento unir minha filosofia com a qualidade dos jogadores.
Olheiros - Como tem sido a sua adaptação em particular e no trato com os jogadores?
Marc - A primeira coisa é fazer o jogador entender as características necessárias para jogar na Europa e em todo lugar do mundo. Sou extremamente exigente, mas acho que isso ajuda a crescer, a jogar futebol com responsabilidade. Minha adaptação foi rápida, o povo em São José foi muito bom comigo. Todas pessoas da comissão me ajudam a me adaptar, já vivi na África, Portugal e América do Norte. Não foi um grande choque cultural, o povo brasileiro é muito bom.
Olheiros - Como surgiu o convite para trabalhar no Primeira Camisa?
Marc - Trabalhava em um clube que está na MLS hoje, chamado Montreal Impact. Conheci um advogado que me apresentou ao César Sampaio e nos tornamos amigos, formamos amizade muito forte na vida e no futebol. Quando surgiu a oportunidade desse relacionamento, César me apresentou ao Roque Júnior, que me deu oportunidade no Brasil. Recebo de forma humilde e agradeço a oportunidade de estar aqui com esse grupo.
Olheiros - Temos hoje dois treinador portugueses entre os melhores da Europa, que são Mourinho e Villas Boas. Já teve contato com eles?
Marc - Estagiei no Porto (com Jesualdo Ferreira), no Chelsea (com Carlo Ancelotti), no Boavista (com Jaime Pacheco) e me formei na Uefa. Isso ajudou a formar o treinador que sou hoje, mas para mim é um orgulho ter o Villas Boas e o Mourinho. O futebol é todo hoje derivado, é pouco importante de onde você vem, mas sim a competência.
Olheiros - Quais são os seus planos para o futuro? Ficar no Brasil?
Marc - Minha ideia mesmo é de ficar no Primeira, é onde tenho que ficar. Quero e crescer no futebol brasileiro, ir o mais longe possível neste futebol muito competitivo e a partir daí não está nas minhas mãos.
Olheiros - Quem são os destaques da equipe?
Marc - Deixo isso para quando vocês conhecerem melhor o time. Nunca individualizo, meu grupo é excelente e somos muito fortes juntos. Não compete a mim criar individualidades.
Créditos das fotos: Divulgação - Primeira Camisa
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