Gabriel Seixas - 18/01/2012
Diante da profissionalização cada vez mais precoce de jovens no futebol brasileiro, é bastante comum que um ou outro jogador que tenha idade para disputar uma competição nas categorias inferiores não seja aproveitado. As justificativas são as de que o garoto já possui um espaço consolidado no time profissional ou possivelmente atrapalhe a ascensão de algum jogador que esteja despontando na base. O caso não pode ser tratado de forma generalizada, mas o fato é que, em muitas das ocasiões, os clubes acabam errando na “política” de tratamento a esses jovens.
Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo, se mostrou visivelmente irritado com as ausências de Luiz Eduardo, Rodrigo Caio e Henrique Miranda do time que disputou a Copinha. Todos compõem o elenco principal do tricolor desde o ano passado, e por serem /93, poderiam “descer” para os juniores e disputarem o torneio. Claro que é uma declaração muito mais motivada pela eliminação do time na primeira fase do que qualquer outra coisa, mas o mandatário tem alguma razão. Nenhum deles possui um papel ativo na equipe profissional, e até para ganharem ritmo de jogo, poderiam ser aproveitados.
Foi o que fez o Flamengo com a dupla Muralha e Thomás. Ainda que ambos tenham atuado regularmente na metade final de 2011 sob o comando de Luxemburgo, foram relacionados para a disputa da Copinha. O desempenho foi fraquíssimo (três empates em três jogos), mas a eliminação precoce certamente contribuiu no amadurecimento de ambos – em outras palavras, como recentemente destacou o amigo Dassler Marques, “a derrota também faz crescer”.
Em outros casos, todavia, a “descida” de jogadores não faria nenhum sentido. Felipe Anderson, /93 que deve ser titular do Santos no Campeonato Paulista, já é profissional há quase dois anos e certamente tomaria espaço de alguém que ainda busca afirmação no ótimo meio-campo do Peixe na Copinha. Leandro, /93 do Grêmio, é outro que já não vive mais a realidade da base. O que não é o caso de Guilherme Biteco e Yuri Mamute, outros jogadores “poupados” da Copa São Paulo pelo tricolor gaúcho. A decisão parece pouco oportuna, sobretudo porque Mamute ainda tem idade para mais duas Copinhas e Biteco sempre foi um jogador muito “resguardado” no time júnior, sempre começando os jogos no banco de reservas por conta da parte física. A Copinha seria uma oportunidade de ver como os garotos reagiriam diante da responsabilidade de todos os olhares estarem voltados para eles.
Em todo caso, o que muitos clubes insistem em ignorar é que qualquer uma dessas decisões deve partir de acordo com o processo de formação de cada atleta. Não adianta supervalorizar o convívio de um jovem entre os profissionais se ele não tem oportunidade de jogar, assim como não tem efeito algum “descer” um jogador simplesmente para formar uma equipe mais forte e ganhar títulos na base. Deve-se pensar na maturação no atleta, no aprimoramento de seus fundamentos, entre outros aspectos. Caso contrário, não apenas o jovem sai prejudicado, como também o clube formador.
Crédito das fotos: Capa - Paulo Sérgio / Lancenet
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