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Luiz Gustavo: "quero ser zagueiro"

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Pedro Venancio - 19/01/2012

Muito do sucesso da campanha do Palmeiras na Copinha se deve à boa performance da zaga, que foi vazada em apenas duas oportunidades na competição. A polêmica escolha do técnico Márcio Vicente, que optou por escalar três zagueiros, ao menos dá resultado imediato, em que pese o fato de ser questionada por não formar laterais marcadores, uma grande carência no futebol brasileiro.

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O principal destaque dessa defesa é, sem sombra de dúvidas, Luiz Gustavo. Baixo para a posição (tem apenas 1,77m), ele compensa com um poder de recuperação assustador e um tempo de bola impressionante, além de contribuir ofensivamente com o time. Já marcou três gols e roubou bolas importantes no campo de ataque. Em entrevista ao Olheiros, ele fala sobre diversos assuntos, como a possibilidade de virar lateral ou volante, a reação ao fato de ter sido preterido do Sul-Americano Sub-17, e as perspectivas para a carreira.

Olheiros - Como você avalia até agora o desempenho do Palmeiras e em especial o seu na Copinha?

Luiz Gustavo – Penso que estamos numa crescente, evoluindo a cada jogo e mostrando cada vez mais entrosamento como equipe, o que é importante, pois mostra que o trabalho vem sendo bem feito até o momento.

Olheiros – Como tem sido o ambiente do Palmeiras em Araraquara? Como é a relação com a torcida?

Luiz Gustavo – O ambiente é o melhor possível. A torcida nos acolheu e nos trata muito bem por aqui e Araraquara, apesar de grande, é uma cidade do interior, bem sossegada, assim como o lugar onde eu nasci (N.R: Luiz Gustavo nasceu em Valentim Gentil, cidade próxima a Votuporanga, também no interior de São Paulo).

Olheiros - O Palmeiras joga com três zagueiros, e muita gente fala que isso pode prejudicar vocês no futuro, porque não há a formação dos laterais. Como você vê essa questão?

Luiz Gustavo – Temos dois excelentes laterais, o Victor e o Rafael, que sabem jogar como alas também, e acho interessante podermos aproveitar essas boas características deles. Não vejo nenhum problema em jogarmos com três zagueiros.

Olheiros - Você é badalado desde muito cedo, quando jogava no Mirassol. Achas que esse assédio ajudou mais ou atrapalhou mais na sua carreira?

Luiz Gustavo – Para mim só ajudou. Penso que temos que aprender a lidar com essas coisas desde pequeno, para que isso não nos prejudique no futuro. No futebol, temos que amadurecer rapidamente, e acho que esse assédio foi importante nesse meu início de trajetória.

Olheiros - Como você lida com as críticas por ser "baixo" para atuar como zagueiro? Pensas em jogar como lateral ou volante?

Luiz Gustavo – Realmente sou baixo, mas existem vários exemplos de zagueiros baixos que foram ídolos de seus clubes e apontados como os melhores do mundo na posição, como Gamarra, Puyol e Cannavaro, que foi eleito o melhor jogador do mundo mesmo tendo menos de 1,80m. Minha prioridade é atuar como zagueiro, até porque estou bem adaptado à posição, mas penso também em poder atuar como lateral ou volante, até porque hoje o futebol exige essa versatilidade.

Olheiros - Você participou de praticamente todo o ciclo da geração /94 com a seleção até o sul-americano sub-17, mas acabou sendo preterido da lista final. Como você lidou com isso? Chegou a ficar abalado?

Luiz Gustavo – Muita gente ficaria abalada, mas em nenhum momento eu desisti. Resolvi levantar a cabeça, treinar ainda mais, me aperfeiçoar em campo, e o fato de não ter sido convocado acabou me fortalecendo e ajudando a trabalhar cada vez mais firme, com raça, dedicação e humildade.

Olheiros - Em um time de futebol, sempre existem jogadores muito diferentes uns dos outros. Existem os mais brincalhões, os mais sérios, os mais falantes, os mais calados... Como você define seu temperamento?

Luiz Gustavo – Sou sério na hora que preciso, mas também brinco bastante. E pelos jogos da Copinha já deu para perceber que falo o jogo inteiro (risos). Busco sempre orientar o time, sentir como estão os companheiros.

Olheiros - Como foi ganhar o Paulista Sub-17 quebrando um jejum de 34 anos? Por conta desse título há alguma pressão da diretoria por resultados na Copinha?

Luiz Gustavo – Não tem explicação, né? É sempre maravilhoso ganhar um título, ainda mais quebrando um jejum desses. Estamos na história do Palmeiras com isso, mas a diretoria em momento algum nos pressiona por resultados na Copinha. Todos sabem da importância desse torneio, tanto para nós, quanto para o Palmeiras, mas não há pressão.



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