Dassler Marques - 20/01/2012
A eliminação do Rondonópolis veio com placar inchado: o Vitória fez 6 a 0 e seguiu até as quartas de final. Mas se o jogo em questão fosse pela primeira fase, você provavelmente teria ouvido comentários do tipo: “mais um time bizarro, que veio de estado sem tradição no futebol e só aparece porque a Copa São Paulo é inchada, com times demais e nível técnico baixo. Aí só podia dar goleada”.
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Ao contrário do que você poderia supor o Rondonópolis não é um time de empresários que chegou convidado à Copa São Paulo e vendeu todos os seus jogadores logo após a eliminação. É claro que negócios serão feitos. Faz parte da realidade do futebol de base e o objetivo de todos os jovens das equipes menores é buscar a transferência para um time maior. Mas o exemplo que vem do Mato Grosso mostra mesmo é como se construir um projeto formador de sucesso em regiões menos tradicionais da bola.
O Rondonópolis, eliminado com a maior campanha de seu estado na história da Copa São Paulo, trabalha categorias de base há quatro anos. Da tradicional escolinha, com 120 crianças inscritas, sai o pilar para o time sub-13, que irá gerar a equipe sub-15 e, enfim, a sub-18. “Nosso time tem 70% de jogadores nascidos no Mato Grosso”, afirma Márcio Schmidt, responsável por todo o departamento amador.
O projeto é essencialmente formador e foi reforçado, para a Copa São Paulo de 2012, com poucos destaques de equipes menores do Mato Grosso. Mas no Estadual Sub-18, já se sabe no Pantanal, quem manda é o time das cores preto e amarelo. Em dois anos de existência na base, o Rondonópolis chegou à Copinha. Em 2011, fez a estreia e ficou na primeira fase, mas já se colocou entre os 16 do país na temporada seguinte. “Isso vai estimular outros times do MT a também investir na base”, crê Schmidt.
Um exemplo claro desse processo formador é Valdivia, ainda o maior goleador da Copa São Paulo, com oito gols. Um /94 com cara de criança e futebol de craque, ele cresceu em Rondonópolis e chegou ao clube da cidade com 14 anos. Foi identificado um talento importante, moldado com o passar dos anos, e que já se constituiu no maior personagem desta Copa São Paulo. Um novo Bruno Chocolate, destaque do Marília-MA em 2008, que espera ter futuro diferente. Especula-se que o clone do chileno possa ir ao Fluminense nos próximos dias.
A maior lição deste Rondonópolis, senhoras e senhores, é que a democratização da Copa São Paulo (se quiser, chame de inchaço) está aí justamente para isso. Unir o Brasil em torno de uma competição organizada, com sedes quase sempre bem estruturadas, jogos transmitidos em mais de cinco canais, ingressos gratuitos e que dá espaço para quem tem trabalho sério e vontade de vencer. Torneio com tradição, carisma próprio e querido pelos fãs de futebol.
Há equipes que abrem mão dessa oportunidade, caso do Palmas-TO, pior time da edição 2012 e dono de um saldo negativo de 22 gols – sequer fez um. Acordou a montagem do elenco com um empresário que desapareceu e, às pressas, foi feito o chamado catado para não perder a vaga, levar multa e ficar mais quatro anos de fora da competição, que é a punição imposta pela Federação Paulista para desistentes. Os três vexames dados em São Paulo ficam de lição, assim como a campanha marcante do Rondonópolis. O conto de fadas de Valdivia e sua turma. Escolha a história que quiser.
Firulas
#1
O ponto máximo da curta história deste colunista se dará nesta sexta-feira, às 10h (de Brasília), com a participação no Redação Sportv. Estarei na bancada com Rogério Correia e Carlos Eduardo Éboli. Uma oportunidade única para se falar mais sobre o futebol de base. Quem lê o Olheiros não pode perder.
#2
Por conjunturas da tabela, o Corinthians foi o primeiro a chegar à semifinal da Copa São Paulo 2012, mas também é até aqui o melhor pelo futebol jogado. A campanha surpreendente, dada a precariedade da base corintiana nos últimos anos, credencia um dos favoritos ao título, que fez 21 gols e só levou um. Matheus Caldeira, Marquinhos, Denner, Gomes, Anderson e Mateusinho têm jogado o fino e Douglas, prejudicado por lesão, ainda oscila, mas tem potencial. Uma pena os problemas físicos de Paulinho, destaque da geração.
#3
Merece capítulo à parte o meia-atacante Leonardo, até outro dia conhecido só como Léo. O camisa 21 corintiano é um raro talento /95 neste torneio para jogadores essencialmente /93. Incrível seu desenvolvimento físico, sua maturidade para tomar as decisões certas em campo e os últimos três jogos, sempre no mata-mata. É uma joia rara.
#4
O Palmeiras deu adeus à competição, mas sabe que, a exemplo de 2010, tem bons nomes a serem aproveitados. A se lamentar, a utilização do sistema 3-4-1-2, ultrapassado e diferente dos profissionais. Luiz Gustavo, Bruno Dybal, João Denoni e Diego Souza se saíram muito bem. É a hora do Atlético-PR reencontrar o Corinthians e repetir a final de 2009. Hernani é um dos destaques do time, mas o lateral Jean e o atacante Taiberson vêm em grande fase. Marcos Guilherme parte do banco como o melhor /95 do país na atualidade, justamente ao lado de Leonardo.
#5
Do outro lado da chave, o Coritiba quer as semifinais impulsionado pelo melhor ataque, de 21 gols em cinco jogos. O time não tem grandes individualidades, mas jogo em conjunto e bem ajustado. Alex é ótimo atacante e tem os suportes dos meias José Rafael e Thiago Primão. Olho mesmo é em Denner, /94 reserva que chegou do ABC-RN e promete para o futuro. Já o Vitória, com time físico e competitivo, vive das boas fases de seus postes Givanildo e Agdon.
#6
O surpreendente Desportivo Brasil, imune à crise da Traffic, tem pela frente a outra grande equipe da competição. O Fluminense joga sob o ritmo de Eduardo, seu camisa 10 raro, e nos deslocamentos do volante Rafinha e nas fases inspiradas de Marcos Júnior e principalmente Higor. Uma final Corinthians x Flu colocaria em campo os dois maiores campeões da Copa São Paulo.
#7
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